Petrobrás incluiu fábrica de fertilizantes no MS em projetos postergados

Estatal divulgou ontem perdas de mais de R$ 44 bilhões em outros ativos; obra para construção da fábrica de amônia e ureia foi interrompida em 2014

André Magnabosco, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 14h03

SÃO PAULO - As notas explicativas divulgadas durante a madrugada pela Petrobrás revelam que, além da refinaria Abreu e Lima e do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), um terceiro ativo importante foi excluído do teste de impairment realizado pela estatal para determinar o valor recuperável dos ativos ao final de 2014. É o caso da Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III, conhecida como UFN III e localizada em Três Lagoas (MS). Ontem, ao citar a exclusão da Rnest e do Comperj do teste de impairment, a Petrobrás alegou que os projetos foram postergados "por extenso período".

No caso da UFN III, o nível de detalhamento apresentado pela Petrobrás para justificar a decisão é menor, porém o histórico do projeto explica a decisão da Petrobrás de excluí-lo do processo de avaliação do valor recuperável dos ativos.

As obras para a construção da fábrica de amônia e ureia foram interrompidas ainda no final de 2014, e, na sequência, a Petrobrás informou a rescisão de contrato com o consórcio responsável pelo projeto ao alegar descumprimento do contrato. O Consórcio UFN3 é formado pela chinesa Sinopec e pela Galvão Engenharia, empresa investigada na operação Lava Jato.

O projeto é avaliado em mais de R$ 3 bilhões e prevê a produção anual de 1,2 milhão de toneladas de ureia e mais de 700 mil toneladas de amônia. Porém, neste momento, a Petrobrás decidiu rever o andamento das obras. "Posteriormente a esta paralisação, a companhia optou por reavaliar seu cronograma de implantação, postergando as ações necessárias à contratação de nova empresa para execução do escopo remanescente, enquanto perdurarem as medidas de preservação do caixa", informou a empresa.

O documento, contudo, não apresenta dados envolvendo a potencial perda da companhia com a postergação do cronograma do projeto, ao contrário do que ocorreu em relação ao complexo de Abreu e Lima e ao Comperj, entre outros.

A Petrobrás informou que a perda acumulada com o Comperj e o 2º trem de refino da Rnest soma aproximadamente R$ 31 bilhões, dos quais R$ 21,8 bilhões oriundos do Comperj e R$ 9,1 bilhões da refinaria Abreu e Lima.

A companhia também cita perdas com o Complexo Petroquímico de Suape (R$ 3 bilhões), com a Refinaria Nansei (R$ 343 milhões), com a Araucária Nitrogenados (R$ 260 milhões), além de ativos na área de Exploração e Produção (E&P), o que totaliza o impairment consolidado de mais de R$ 44 bilhões apresentado ontem pela Petrobrás - sem qualquer menção específica da UFN III.

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