Petrobrás inicia capitalização no mês que vem

A Petrobrás inicia em junho os primeiros procedimentos para seu processo de capitalização, com a convocação de uma assembleia de acionistas para aprovar aumento de capital e a divulgação de seu plano de negócios 2010-2014, que definirá o valor que a empresa precisa captar. Embora o processo ainda gere muitas dúvidas junto a investidores, a companhia reforçou ontem que o prazo para conclusão da operação está mantido.

Nicola Pamplona/RIO e André Magnabosco/SÃO PAULO, O Estado de S.Paulo

19 de maio de 2010 | 00h00

Em duas teleconferências com analistas, Barbassa frisou que a empresa fará a capitalização até o início de agosto, independente da aprovação dos projetos de lei do pré-sal pelo Congresso. No início de junho, a empresa vai propor a seus acionistas um aumento de capital, definindo um limite para crescer com ou sem cessão onerosa. "Vamos abrir o espaço para fazer o que pretendemos fazer", afirmou o executivo a analistas estrangeiros.

Durante as teleconferências, Barbassa ouviu muitos questionamentos com relação à capitalização. O tema dominou a parte de perguntas e respostas dos eventos, agendados para que a empresa detalhasse os resultados financeiros do primeiro trimestre de 2010. O executivo, porém, disse não estar apto a responder algumas das principais questões, como o valor da capitalização e dos investimentos.

Barbassa explicou que o processo em estudo prevê que os atuais acionistas sejam chamados primeiro, para confirmarem se vão participar e, em caso positivo, se têm interesse em comprar eventuais sobras de ações do processo, ampliando sua participação. A União, controladora da companhia, também participará dessa primeira chamada, com ou sem a cessão onerosa.

Mesmo sem cessão onerosa, disse o diretor da Petrobrás, o governo não terá sua participação na empresa diluída. "A ideia é que o governo mantenha pelo menos uma participação equivalente à que tem hoje", afirmou. Se a cessão for aprovada, A União governo poderá comprar uma participação maior na companhia, aproveitando eventuais sobras do processo.

Outra dúvida levantada pelos analistas dizia respeito ao momento para se realizar a operação, em meio à crise europeia, que tem impactos nos mercados financeiro e de petróleo. Barbassa afirmou que a companhia tem tido sucesso no acesso aos mercados, mesmo após a crise financeira de 2008 e que há demanda por papéis da Petrobrás. "Tenho opinião firme de que vamos efetuar uma boa emissão", disse.

Galp. Uma das poucas questões não referentes à capitalização levantadas pelos analistas dizia respeito a uma possível compra de participação na portuguesa Galp. Barbassa disse que, até agora, não há negociações nesse sentido. "Estamos sempre atentos a qualquer oportunidade Mas (com a Galp) o único acordo, até agora, diz respeito à produção conjunta de biodiesel"

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