Petrobras intensifica esforço para comprovar reservas pré-sal

Companhia está perfurando seis poços além de 6 mil metros de profundidade, segundo dados da ANP

Nicola Pamplona, de O Estado de S. Paulo,

23 de julho de 2008 | 18h44

A Petrobras intensificou os esforços para a comprovação de reservas de petróleo e gás abaixo da camada de sal, na Bacia de Santos, onde nove descobertas já foram feitas. Segundo informações da Agência Nacional do Petróleo (ANP), a companhia está perfurando, neste momento, seis poços exploratórios com objetivos abaixo dos 6 mil metros de profundidade. A distância é semelhante à percorrida pelo poço descobridor de Tupi, maior reserva descoberta no Brasil.   Veja também:  Veja a história e os números da Petrobras  A exploração de petróleo no Brasil   A maior jazida de petróleo do País    Durante o primeiro semestre, a Petrobras mantinha uma média de três poços simultâneos em busca de reservas abaixo do sal, esforço limitado pela escassez de plataformas de perfuração com capacidade para atuar em águas ultraprofundas. Nos últimos meses, porém, a companhia conta com o apoio da parceira Repsol, da Espanha, e decidiu ainda buscar reservas no pré-sal em blocos exploratórios localizados em águas rasas.   Nesse último caso está o bloco BM-S-12, da 3ª Rodada de Licitações da ANP, em 2001, localizado na porção sul da Bacia de Santos, a 400 quilômetros de distância de Tupi. Lá, a Petrobras pretende atingir os 6.525 metros de profundidade. No meio do caminho, já encontrou indícios da existência de gás que, segundo um técnico da companhia, estão acima da camada de sal.   De acordo com geólogos, há boas perspectivas de descobertas de gás abaixo da camada de sal na região do BM-S-12, que fica em frente ao litoral de Santa Catarina. O local, batizado pela estatal de Pólo Sul da Bacia de Santos, tem pequenos campos como Coral, Estrela do Mar e Cavalo Marinho e produziu uma média de 3,7 mil barris de petróleo em 2007.   O BM-S-12 tem uma lâmina d'água (distância entre a superfície e o fundo do mar) de 470 metros, bem abaixo dos mais de 2 mil metros de Tupi, por exemplo. Na mesma região, a Petrobrás planeja perfurar um poço no bloco BM-S-47, contíguo ao BM-S-12, que é formado pela junção de sete blocos exploratórios arrematados na 5ª Rodada de Licitações da ANP, em 2003.   Há outra frente de busca por reservatórios profundos abaixo do sal em blocos de águas rasas, no chamado Pólo Merluza da Bacia de Santos. De acordo com a ANP, a companhia perfura neste momento um poço próximo ao campo de Lagosta, descoberto em 2004, buscando reservas a 6.189 metros de profundidade.   Na chamada "área do pré-sal", em águas ultraprofundas, onde estão depositadas as maiores expectativas da Petrobras, a companhia perfura atualmente três poços com objetivos abaixo da camada de sal. Nos blocos BM-S-9 e 11, busca confirmar o potencial dos projetos Carioca e Tupi - este último com reservas estimadas entre 5 bilhões e 8 bilhões de barris de petróleo e gás. Os dois poços devem superar os 6.100 metros de profundidade.   Já no BM-S-24, a companhia está refazendo o bloco descobridor de Júpiter, que teve que ser interrompido porque a plataforma estava operando no limite e necessitava de manutenção. Nesse projeto, a Petrobras encontrou, em janeiro, um reservatório de gás natural, que só agora será testado.   O último poço está sendo perfurado em um bloco mais ao norte, chamado de S-M-322, próximo a descobertas importantes dos últimos anos, como Tambaú e Uruguá. O poço deve chegar aos 6.456 metros de profundidade. O plano de desenvolvimento elaborado pela estatal para a Bacia de Santos chama essa área de Pólo Norte da bacia.   Especialistas do setor esperam que esse esforço provoque um grande número de anúncios de descobertas neste segundo semestre. A Petrobras espera a chegada de mais três sondas de perfuração ainda este ano e poderá intensificar ainda mais as avaliações do potencial de reservas abaixo do sal.

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