Petrobras: interesse é capitalizar total dos barris

O diretor financeiro da Petrobras, Almir Barbassa, afirmou hoje que a estatal poderia não tomar todos os 5 bilhões de barris previstos no processo de capitalização, mas não é este o interesse da companhia. "Queremos tomar tudo. Isso vai nos permitir melhorar nossa alavancagem", explicou, ressaltando que a capitalização também é importante para os fornecedores da empresa, já que aumenta a disponibilidade de a Petrobras financiá-los. "Hoje, parte dos gastos com fornecedores entra como dívida no caixa da companhia", lembrou.

KELLY LIMA, Agencia Estado

04 de setembro de 2009 | 15h49

Há ainda a possibilidade de a Petrobras realizar sua capitalização em várias partes (tranches) dentro do prazo de 12 meses, afirmou Barbassa. "Isso não está descartado. É uma possibilidade a ser estudada para poder colocar lotes menores de ações no mercado de cada vez", disse, em entrevista realizada no Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças (Ibef) do Rio.

Barbassa afirmou também que a Petrobras já comunicou a Agência Nacional do Petróleo (ANP) sobre a necessidade de iniciar o processo de unitização da área de Iara, no pré-sal da Bacia de Santos. "Já iniciamos as negociações para que a Petrobras, como operadora de Iara, seja autorizada pela ANP a perfurar nas áreas adjacentes que pertencem ao governo", explicou.

A unitização é um processo de individualização da produção de uma área, cujos reservatórios excedem os limites da concessão. No caso de Iara, localizada junto a Tupi, no BM-S-11, as reservas "vazam" para fora da área concedida e invadem um território ainda sob domínio da União. Barbassa informou que a União neste caso está sendo representada pela ANP, como previsto na atual legislação do petróleo.

Ele destacou que, apesar de o processo de unitização já ter sido iniciado na ANP e estar hoje sendo discutido com os demais sócios, "não há pressão para que ele seja acelerado". "Ainda há a necessidade de a área ter declarada sua comercialidade, o que deve acontecer em breve. Depois disso é que o processo começa a correr mais definitivamente e se começar a demorar demais, a ANP pode exercer o seu poder para acelerar isso", disse.

Segundo ele, o interesse no processo de unitização de Iara visa o início de sua produção, previsto para 2013. Sem ser unitizada, diz Barbassa, a área não estaria apta a produzir. "O interesse de todos, Petrobras, nossos sócios, União e ANP, é em prol da produção. Portanto, não vejo problemas no decorrer do processo", comentou.

O diretor ainda lembrou que a unitização de Iara é um dos principais passos dentro do processo de capitalização da Petrobras. Além de Iara, a companhia vai identificar outras áreas em que existem reservatórios contíguos (mesmo que não unitizáveis) das atuais descobertas. "Precisamos identificar onde estão estas reservas para que elas sejam incorporadas no prazo de 12 meses após a aprovação da lei no Congresso", comentou.

Participação do governo

Barbassa disse ainda que desconhece o interesse do governo federal em aumentar sua participação no capital da empresa em mais de 50%, adquirindo diretamente ações da empresa no mercado financeiro. "O governo há muito tempo não exerce esta opção, mas pode fazer isso. Eu desconheço esta intenção", disse, comentando a declaração do ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, hoje ao jornal Folha de S.Paulo. Barbassa evitou tecer comentários sobre o que esperar dos acionistas minoritários, se vão acompanhar ou não o aumento de capital por parte do governo. "Temos de esperar para ver."

Ele também evitou especular sobre os números que envolvem a valoração dos barris que serão aportados pelo governo no capital da companhia. "Isso terá que ser objeto de muito estudo e este estudo tem de considerar uma série de fatores, que vão desde as dificuldades exploratórias até o prazo para se começar a produzir na área".

Sobre os relatórios de instituições financeiras que apontam para um valor entre US$ 2 e US$ 4 por barril, Barbassa salientou que estes números apontam para cálculos feitos ainda considerando o pagamento de participação especial sobre a produção. "E já está bastante claro que sobre estas áreas não haverá este pagamento. Estas áreas estão sob o monopólio da União e a participação especial só é cobrada sobre áreas que estão sob o regime de concessão", destacou.

Segundo o diretor da Petrobras, o fato de não pagar a participação especial valoriza o barril no ato da aquisição. "Considerar o pagamento da PE é adicionar um custo ao barril a ser extraído. Isso reduz seu preço atual. Quando se tira a PE, o valor atual melhora porque retira-se este custo futuro. Na prática, é como se estivéssemos antecipando o pagamento desta PE toda de uma vez", explicou.

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