Petrobras: investidores devem esperar

Quem ficou para trás com a arrancada das ações da Petrobras, iniciada com a bem-sucedida venda pulverizada dos papéis pelo governo e fortalecida pela escalada de alta dos preços internacionais do petróleo, está em dúvida se ainda é tempo para tirar proveito da valorização das ações da estatal. Afinal, o preço de fechamento de sexta-feira, de R$ 55,52 a ON - ordinária, com direito a voto - e de R$ 54,30 a PN - preferencial, sem direito a voto -, está ainda distante do preço-alvo calculado pelos analistas para um horizonte mais longo.A indicação para o investimento em ações da Petrobras permanece de pé entre a maioria dos analistas, embora todos afirmem que a grande oportunidade para a compra já passou. "O melhor momento foi quando o governo fez a oferta pulverizada dos papéis excedentes ao seu controle", afirma o analista de Investimento da Fator Doria Atherino, Fernando Oliveira.O analista comenta que o investidor que embarcar agora em papéis da estatal tende, quando muito, a obter um ganho marginal. Isso porque, de acordo com o cenário por ele projetado, as ações se estão aproximando do nível de preço considerado justo. A forte e surpreendente elevação das cotações do barril lá fora foi o fator determinante para a expansão do valor da empresa e firme valorização das ações da Petrobras, em sua avaliação.Em linhas gerais, o preço do petróleo determina o volume de faturamento da Petrobras, que por sua vez define o lucro e, seguindo a cadeia, o valor estimado da companhia, que se traduz no valor das ações. Quanto mais elevada a cotação do barril, maior seria, em tese, o valor a ser agregado em todos eles, do faturamento às ações. Pelas contas do diretor de Renda Variável da Unibanco Asset Management (UAM), Jorge Simino, o preço-alvo das ações são calculados considerando-se um preço médio anual para o barril de petróleo. Uma variação de US$ 1,00 em relação ao preço estimado do barril ocasionaria uma alteração de R$ 3,00 no valor da ação.O analista da Fator Doria Atherino afirma que, embora tenham esboçado queda diante da ameaça dos Estados Unidos de desovar o estoque, os preços do petróleo continuam altos e devem permanecer próximos desses níveis pelo menos até o fim do primeiro trimestre do próximo ano, quando termina o inverno no Hemisfério Norte.Para Atherino, o aumento de consumo com o início do inverno nessa região combinado com o baixo nível de estoques e somado ainda ao esgotamento da capacidade de produção e oferta de petróleo tende a ser uma das principais fontes de pressão sobre o preço do barril. A perspectiva de sustentação, quando não é de aceleração de preços, pode ganhar força com a tensão no Oriente Médio com a retomada de ameaças do Iraque contra o Kuwait.O recomendado é esperarO diretor de Estratégias de Investimento da Lloyds Asset Management (LAM), Paulo de Sá Pereira, afirma que a Petrobras é superfavorecida pela esticada da cotação do barril, mas a análise da empresa não pode ser feita com base nessa anormalidade, um fator conjuntural. Para ele, a condição é excelente para quem tem papéis da estatal, mas quem comprar agora pode estar pagando caro pela ação. Na avaliação do gerente de Análise de Investimento do Banco CCF, Fernando Aoad, o momento não é indicado para compras especulativas porque a ação da Petrobras já teve forte valorização. "O investidor que esperar um pouco pode comprar mais barato", diz.

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