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Petrobras já ganhou bastante na Bolívia, diz vice-chanceler

Para ele, a Petrobras e as demais empresas petrolíferas estrangeiras já tiveram lucros suficientes para amortizar os investimentos que fizeram na Bolívia

Agencia Estado

04 de julho de 2007 | 17h17

O presidente boliviano Evo Morales alerta que o Brasil não pode apenas ser líder regional sem aceitar os "custos" de promover uma situação mais justa dos demais países da América do Sul e da integração entre as economias. Em entrevista ao Estado, o vice-chanceler boliviano, Hugo Fernandez Araóz, aponta que as empresas estrangeiras de petróleo, entre elas a Petrobras, já acumularam lucros que compensaram os investimentos feitos nos últimos anos no país."Precisamos que os grandes países, como Brasil e Argentina, estejam dispostos não apenas a ser líderes, como também a assumir os custos de uma maior articulação entre os países. E para isso há que pagar, e isso é que pode ser um tema difícil ", afirmou. Para o vice-chanceler, "os países grandes não podem ver esse preço como um custo, mas como um investimento". Em sua avaliação, a sociedade civil brasileira está mais disposta a pagar pelos custos de ajuda aos países mais pobres. "Na Europa, França e Alemanha tiveram de ajudar aos menos desenvolvidos, como foram Irlanda e Espanha em um momento. O mesmo esquema precisamos pensar para a América do Sul ", disse. CobrançasSobre o papel da Venezuela na região, o vice-chanceler avalia que o governo de Hugo Chávez ainda não pode disputar a liderança sul- americana com o Brasil. "Hoje, o Brasil é o líder, mas a Venezuela precisa ter seu papel, pois tem petróleo e enormes recursos", afirmou Fernandez Araóz, jesuíta nos anos 60 e 70. Na avaliação do vice-chanceler, os recursos gerados pelo petróleo e gás natural na Bolívia são as apostas do país em seu plano de redução da pobreza. Para ele, a Petrobras e as demais empresas petrolíferas estrangeiras já tiveram lucros suficientes para amortizar os investimentos que fizeram na Bolívia nos últimos anos."Todas as empresas que foram à Bolívia recuperaram facilmente seus investimentos. Contavam com isenções fiscais, não pagavam impostos e em pouco tempo amortizaram todo seu investimento. Não podem se queixar de que a Bolívia os tratou mal. O que queremos é um tratamento equilibrado", afirmou o representante de La Paz. "A Petrobras, como uma multinacional, aproveitou as condições artificiais que se criaram na Bolívia para atrair capital. Mas o estado tem de recuperar sua capacidade de repartir a riqueza. As grandes empresas têm sua utilidade, mas não podíamos seguir como estava antes", disse. Segundo ele, desde que o processo de nacionalização começou e os contratos foram revistos, a Bolívia quadruplicou seus ingressos vindos do petróleo e gás natural. "Aumentamos os ingressos das vendas de US$ 300 milhões por ano para US$ 1,2 bilhão. Esse dinheiro será usado para o desenvolvimento do País. Para isso, temos de cobrar dos que ganham mais para dar aos que ganham menos ", completou o ex- jesuíta.

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