Petrobrás já oferecia desconto a distribuidor no preço do diesel

Para inibir importação, estatal fazia abatimento de até R$ 0,25 por litro para companhias que mantinham compras

Nicola Pamplona e Célia Froufe, O Estadao de S.Paulo

09 de junho de 2009 | 00h00

Com o objetivo de inibir as importações, a Petrobrás já vinha oferecendo descontos no preço do diesel vendido às distribuidoras de combustível. Os descontos chegavam a R$ 0,25 por litro e eram dados na última semana de cada mês, diz o presidente da Federação Nacional do Comércio Varejista de Combustíveis e Lubrificantes (Fecombustíveis), Paulo Miranda.Para garantir os descontos, as distribuidoras beneficiadas, no entanto, deveriam manter os volumes de compra da estatal, de acordo com executivos do setor.A política de descontos foi adotada para frear o crescimento nas importações de diesel por clientes da Petrobrás. Segundo fontes do setor, grandes consumidores industriais e até distribuidoras tradicionais de combustíveis chegaram a trazer cargas de diesel importado. O preço do combustível brasileiro estava no mesmo nível desde maio de 2008, quando o petróleo rondava a casa dos US$ 105 por barril. Com a queda do valor negociado no mercado internacional para cerca de US$ 40, no início do ano, as importações passaram a ser mais lucrativas.No caso da gasolina, porém, o mercado não esperava redução de preços ainda no primeiro semestre, uma vez que as cotações internacionais apresentaram expressiva elevação nos últimos meses. Cálculos feitos por especialistas apontavam, na semana passada, que o preço americano, usado como referência pela estatal, havia se igualada ao brasileiro, o que desestimularia a compra do combustível americano. Isso porque a cotação da gasolina nos EUA é fortemente pressionada pela proximidade das férias de verão. Nesse período, a demanda aumenta e o preço, também.PRESSÕESA Petrobrásofreu grande pressão no fim do primeiro trimestre para reduzir o preço da gasolina. Na época, o preço interno chegou a estar 60% acima do cobrado pelas refinarias americanas. Nem distribuidoras nem revendedores arriscaram dizer ontem quando o novo preço do diesel chegará às bombas. "Isso depende dos estoques e do nível de competitividade do mercado", disse o vice-presidente executivo do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Vaz. "A tendência é que os estoques comprados a preços antigos sejam desovados antes, mas pode ser que a competição leve os postos a antecipar o repasse." Um dos setores que mais pode se beneficiar é o sucroalcooleiro. Pelos cálculos iniciais feitos pelo diretor-técnico da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (Unica), Antonio de Padua, a pedido da Agência Estado, a redução do custo para o setor é de 1%. Primeiro, porque o custo com transporte ficará mais baixo e, segundo, porque o preço do álcool no mercado, que costuma acompanhar o da gasolina, não será atingido.

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