Petrobrás levanta US$ 6,7 bilhões no exterior

Essa é a primeira captação no mercado internacional feita no País em 11 meses; montante será utilizado para refinanciar bônus com vencimento até 2019

Cynthia Decloedt (SÃO PAULO), Antonio Pita (RIO) e Adriana Fernandes (BRASÍLIA), O Estado de S.Paulo

18 de maio de 2016 | 05h00

Ainda com o comando indefinido no novo governo, a Petrobrás voltou ontem ao mercado internacional para captar US$ 6,75 bilhões com o objetivo de refinanciar seus compromissos de curto prazo.

A alta demanda, na faixa de US$ 20 bilhões, permitiu que a estatal negociasse condições menos onerosas e despertou a atenção do governo para uma melhora na percepção de risco no País. Primeira operação do tipo em onze meses no Brasil, a emissão da estatal pode abrir espaço para operações do Tesouro Nacional.

Os valores captados serão utilizados para refinanciar cerca de 30% dos bônus com vencimento até 2019. Nesse período, os compromissos da petroleira somam R$ 178 bilhões – quase 40% da dívida total. A prioridade é a recompra dos títulos com vencimento em dois anos, que têm margens limitadas para negociação com os credores.

A última emissão da estatal aconteceu em junho, um bônus com prazo de 100 anos. O objetivo da diretoria, na época, era medir a “credibilidade” da estatal mesmo em tempos de crise. Agora, com custos crescentes sobre o endividamento, a preocupação da diretoria é com a liquidez da empresa.

Apesar da demanda mais forte, a avaliação dos analistas de mercado é que a estatal estava pagando caro pelo refinanciamento de suas dívidas, com isso as ações da Petrobrás fecharam em queda de 2,56% (preferenciais) e 1,12% (ordinárias). “Não tem milagre. No contexto atual da companhia, foi uma operação bem sucedida. Foi importante para mostrar a capacidade dela de acessar ao mercado”, avalia uma fonte que participou da operação.

Inicialmente, a previsão era oferecer um retorno acima de 9% para os títulos, com captação de US$ 3 bilhões. Entretanto, diante da alta demanda, os bancos que coordenavam a operação reviram as condições financeiras. Ao todo, foram emitidos US$ 5 bilhões em bônus com vencimento de cinco anos, com ganho de 8,625% para o investidor. Outros US$ 1,75 bilhão tiveram retorno de 9% e um prazo de 10 anos.

A operação foi coordenada pelo Santander com apoio dos bancos BB Securities, BofA e JPMorgan. Na avaliação de uma fonte próxima à operação, o negócio foi “excelente” e demonstra “apetite” dos investidores sobre o Brasil após a mudança de governo e o anúncio de uma nova equipe econômica.

A operação da estatal, segundo fontes, foi monitorada pelo Tesouro, que busca uma janela para voltar ao mercado. A avaliação interna no Ministério da Fazenda é que, com o anúncio da nova equipe econômica, as condições começam a ficar favoráveis. A última captação do País foi feita em março, coordenada pelo ex-ministro Nelson Barbosa.

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