PAULO SERGIO/AGÊNCIA CÂMARA
PAULO SERGIO/AGÊNCIA CÂMARA

Petrobras: Lira anuncia reunião de líderes na 2ª para discutir política de preços de combustíveis

Nas redes sociais, presidente da Câmara chamou a Petrobras de "país independente" e disse que empresa declarou guerra ao povo brasileiro

Iander Porcella, O Estado de S.Paulo

16 de junho de 2022 | 21h51

BRASÍLIA - O presidente da Câmara, Arthur Lira (Progressistas-AL), anunciou nesta quinta-feira, 16, que vai convocar para a próxima segunda-feira, 20, uma reunião de líderes para discutir a política de preços da Petrobras. No Twitter, o deputado elevou o tom contra a estatal, chamou a empresa de "país independente" e disse que a empresa declarou guerra ao povo brasileiro.

"A República Federativa da Petrobras, um país independente e em declarado estado de guerra em relação ao Brasil e ao povo brasileiro, parece ter anunciado o bombardeio de um novo aumento nos combustíveis", escreveu o presidente da Câmara, na rede social, em referência a um possível aumento nos preços dos combustíveis, após uma reunião hoje do Conselho de Administração da estatal.

O encontro pegou os dirigentes da estatal de surpresa, não apenas por ser feriado, mas porque o discutir reajuste de combustíveis não é da competência do Conselho. Na reunião, ficou decidido que o reajuste dos combustíveis é de responsabilidade da diretoria executiva, que irá anunciar amanhã, 17, um aumento nos preços. O valor da alta, porém, não foi informado aos conselheiros, e nem se abrangerá apenas o diesel, ou também a gasolina.

O governo vinha tentando convencer o presidente demissionário da Petrobras, José Mauro Coelho, a segurar os preços para que o teto de ICMS, aprovado ontem no Congresso com apoio do Palácio do Planalto, surta algum efeito nas bombas dos postos de abastecimento.

Lira tem elevado, constantemente, o tom das críticas à Petrobras. O presidente da Câmara passou a defender a privatização da empresa e já chegou a sugerir que o governo venda ações da estatal para que a União deixe de ser acionista majoritária. "Enquanto tentamos aliviar o drama dos mais vulneráveis nessa crise mundial sem precedentes, a estatal brasileira que possui função social age como amiga dos lucros bilionários e inimiga do Brasil", emendou Lira, no Twitter.

"Na segunda-feira, estarei convocando uma reunião de líderes para discutir a política de preços da Petrobras. Política da Petrobras, que pertence ao Brasil e não à diretoria da Petrobras", avisou o presidente da Câmara.

Hoje, em transmissão ao vivo nas redes sociais, o presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem Lira é aliado, disse esperar que a Petrobras não aumente os preços dos combustíveis. "Eu só posso entender que um reajuste da Petrobras agora seria um interesse político para atingir o governo federal", disse o chefe do Executivo.

Defasagem

Com defasagem cada vez maior nos preços praticados nas refinarias da estatal, é grande a pressão do mercado para que a Petrobras alinhe a gasolina e o diesel aos preços internacionais. Ontem, a defasagem do diesel era de 18% em relação ao Golfo do México, após 36 dias sem reajuste, e a gasolina estava com uma diferença de 14% no seu 96º dia sem alteração, segundo dados da Associação Brasileira dos Importadores e Combustíveis (Abicom).

Desde 2016, a empresa pratica a política de preços de paridade de importação (PPI), que significa manter os preços alinhados ao mercado internacional. O PPI leva em conta o preço do petróleo e o câmbio, que dispararam esta semana, e os custos de importação, também elevados na esteira da alta de preços.

Se a empresa não seguir essa política, outros importadores deixam de trazer combustível para o Brasil, porque não conseguem concorrer com os preços mais baixos da Petrobras no mercado interno. Sem as importações complementares - o Brasil produz entre 70% e 80% do diesel que consome e 97% da gasolina -, o abastecimento pode correr risco no segundo semestre do ano, quando é previsto aumento da demanda e aperto da oferta por conta da guerra entre a Rússia e a Ucrânia.

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