Petrobras mantém suspense sobre poço na Bacia de Santos

A Petrobras manifestou-se oficialmente, hoje, sobre as informações de uma possível descoberta de óleo leve (de excelente qualidade e maior valor no mercado) em um poço na Bacia de Santos. Embora tenha confirmado as perfurações na área, a Petrobras disse que, "as informações para a avaliação da área ainda estão em andamento". Segundo a empresa, "os resultados não permitem nenhuma conclusão sobre o grau de comercialidade (ou seja, se o volume é suficiente para que valha a pena investir em sua exploração) do poço". A Petrobras não confirmou também se a descoberta é de óleo leve ou não. Porém, de acordo com a empresa, mesmo se a descoberta for de óleo leve, ainda persistem no momento dúvidas sobre a comercialidade do poço, o que, para a empresa, é o fator fundamental para anunciar descoberta e iniciar a exploração da área. A estatal informa que fará mais perfurações, sem prazo definido para término. Caso se confirme que o poço é viável economicamente, a empresa cumprirá os trâmites e informará a descoberta à Agência Nacional do Petróleo (ANP).Confirmação só deve sair depois de agostoA Petrobras dificilmente confirmará antes de agosto deste ano a comercialidade do bloco BS-500, onde supostamente teria havido uma descoberta de petróleo raro. Isso porque a área foi entregue para a estatal pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) no round zero realizado em 1998 e que antecipou as quatro rodadas de licitações de blocos exploratórios nos últimos anos. Portanto, a Petrobras tem até agosto para optar se mantém o bloco ou o devolve para a ANP. Mas a partir do momento em que declara a comercialidade, pelas regras de exploração, a Petrobras fica obrigada a preparar em um prazo máximo de seis meses um plano detalhado de exploração e produção para a área. O tempo de concessão de um bloco de exploração é dividido em períodos de dois a quatro anos cada um, sendo que o período de concessão varia entre sete e nove anos. No primeiro período, o Programa Exploratório Mínimo (PEM) determina uma pequena quantidade de realização de sísmica que cada empresa deverá executar. Já no período seguinte fica especificada a quantidade de poços a serem perfurados e só então seriam divulgadas grandes descobertas. Mas as empresas que estão nesta fase optam por esperar o prazo chegar próximo ao final para declarar a comercialidade das novas descobertas, porque a ANP dá a elas apenas 180 dias a partir desta declaração para que seja entregue o plano de desenvolvimento da área. "Ora, é mais interessante manter os estudos durante um tempo mais prolongado do que anunciar logo uma descoberta e ser obrigado a apresentar um programa detalhado de desenvolvimento da área logo em seguida", comentou o professor do Instituto de Economia da UFRJ, Edmar de Almeida, que acaba de publicar um artigo no boletim Infopetro sobre as perspectivas da exploração de petróleo no Brasil para 2003. A perspectiva é de que 2003 seja um ano decisivo para as empresas que possuem blocos licitados nos primeiros rounds realizados pela agência. Além da rodada zero ter seu prazo vencendo este ano para devolução de 100% das áreas entregues à Petrobras, também estará expirando o prazo para parte dos blocos licitados na primeira rodada. "A partir deste ano é de se esperar que os agentes do upstream atentem mais para a ocorrência de descobertas como indicador para sua atuação futura no esforço exploratório". Isso significa, segundo ele, que para as empresas ainda não está pesando o histórico de descoberta sobre a decisão de novos investimentos. O ano de 2003, também deverá ser especialmente importante para definir o surgimento de um novo ciclo de investimentos em patamares elevados a partir de 2004 e 2005. "As grandes empresas petroleiras estão atentas aos resultados deste primeiro ciclo do esforço de exploração para calibrar uma política de investimentos sustentável na exploração de petróleo no país".

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