Petrobrás muda estrutura do Comperj

Apesar de insistir que complexo no Rio terá refino e petroquímica associados, estatal começou a desativar algumas áreas do projeto

SERGIO TORRES, SABRINA VALLE / RIO, O Estado de S.Paulo

22 de setembro de 2012 | 03h11

O discurso oficial de que o projeto original do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj) ainda vale começa a ser desmentido pelas providências da Petrobrás em relação à estrutura montada há cinco anos, antes do início das obras. Setores criados para planejar como seria a petroquímica do complexo - composto por duas refinarias e uma área petroquímica - não funcionam mais.

O projeto petroquímico não deverá ser totalmente eliminado, mas passa por um processo de redução. A participação da gigante Braskem, que chegou a ser anunciada como parceira no empreendimento petroquímico do Comperj, poderá ser reduzida.

As duas companhias discutem como deverá ser implementada a ação conjunta no Comperj. A Braskem informou que desconhece a desmobilização empreendida pela Petrobrás e que suas equipes continuam a trabalhar no projeto do Comperj. A empresa diz que mantém o projeto de participação no complexo petroquímico, com a construção de um cráquer para a produção de eteno e de plantas de fabricação de resinas.

A Petrobrás informou que "as reestruturações organizacionais e societárias promovidas no âmbito do Comperj "não alteraram, em nenhum momento, o escopo maior do projeto, que é a implantação de um complexo industrial de refino e petroquímica associados". "Essas reestruturações visaram exclusivamente a aperfeiçoar a organização para fazer frente aos desafios do projeto, que se alteram ao longo do tempo à luz de eventos de natureza econômica, mercadológica e de custos", informa o comunicado da estatal.

Um dos exemplos de desativação da estrutura é a incorporação da subsidiária Comperj Participações S/A pela Diretoria de Abastecimento da Petrobrás, em estudos pela estatal. A sociedade anônima foi criada para representar a Petrobrás nas sociedades que surgiriam a partir do planejamento inicial: Comperj Petroquímicos Básicos S/A (produtora de petroquímicos básicos), Comperj PET S/A (PTA/PET), Comperj Estirênicos S/A (estireno), Comperj MEG S/A (etilenoglicol e óxido de eteno) e Comperj Poliolefinas S/A (poliolefinas).

Oficialmente, a Petrobrás mantém o projeto do Comperj com uma refinaria a ser inaugurada no primeiro semestre de 2015 e uma segunda, em 2018. Ambas com atraso mínimo de três anos em relação ao anunciado pelo governo quando o projeto foi tornado público. Juntas, as duas terão capacidade de produzir 465 mil barris diários de derivados de petróleo.

Indústrias. O projeto original da petroquímica prevê unidades geradoras de produtos de primeira geração (propeno, butadieno e benzeno) e de segunda geração (estireno, etilenoglicol, polietilenos e polipropileno, entre outros). O ambicioso planejamento previa até a ocupação do entorno do Comperj (localizado no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio) por empresas atraídas pela proximidade das fontes de matérias-primas, como montadoras de automóveis e indústrias de eletrodomésticos.

Em cinco anos, o mercado deixou de ser promissor, já que os Estados Unidos desenvolveram tecnologias modernas que baratearam a produção do shale gás, extraído das rochas de xisto.

Em pronunciamento na feira Rio Oil & Gas, encerrada anteontem à noite, a presidente da Petrobrás, Graça Foster, não foi direta ao falar sobre os problemas relacionadas à parte petroquímica do Comperj. Ela reafirmou que o "complexo é projeto integrado, são duas refinarias e uma planta petroquímica". "Ele faz sentido econômico quando é tratado de forma integrada", disse.

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