Petrobrás não acredita em disparada de preços

O diretor de Abastecimento da Petrobrás, Rogério Manso, que participou do 17º Congresso Nacional do Petróleo, descartou uma disparada nos preços dos combustíveis no Brasil, em caso de a guerra entre EUA e Iraque ser realmente deflagrada. Na sua opinião, não haverá sequer uma alta excessiva no preço do petróleo no mercado internacional. O Brasil é hoje bem menos dependente do petróleo do Oriente Médio, disse, o que torna a situação mais favorável para o País.Segundo Manso, apenas 20% do petróleo importado pela Petrobrás vem do Oriente Médio - a maior parte, da Arábia Saudita. O Iraque só vende ao Brasil no mercado spot (à vista). Já no mercado internacional, completou o executivo, é consenso que os preços não vão disparar, devendo apenas registrar uma alta pontual, no começo do conflito.O diretor-geral da Agência Nacional do Petróleo, Sebastião do Rego Barros, destacou que seria "muito caro e demorado" a formação de um estoque regulador para o Brasil enfrentar uma possível escassez de oferta de petróleo no mercado mundial, em caso de um conflito de longo prazo entre Estados Unidos e Iraque. Segundo ele, a ANP, como órgão regulador do mercado, não poderá fazer nada para evitar os eventuais problemas decorrentes de uma guerra.Rego Barros afirmou ainda que "a lógica aponta para uma alta nos preços, mas é preciso esperar para ver a dimensão do conflito". Já o consultor Jean-Paul Prates, da Expetro Consultoria, acredita que o preço do petróleo está em seu ponto de equilíbrio, em compasso de espera. "O mundo está esperando enquanto o Bush brinca de guerra. Na hora em que sair o primeiro tiro, o preço pode subir bastante, dependendo da reação da Opep", avaliou. Segundo ele, o cartel pode decidir retaliar os Estados Unidos e não promover nenhum aumento de oferta. Prates não acredita em crise de suprimento, em caso de conflito. Haverá sim, concorda, um dilema no governo: manter o mercado aberto ou decidir de vez pelo controle de preços. "A tendência é que os preços subam lá fora em caso de guerra e, com o mercado aberto aqui, os preços subririam também. Mas o governo já mostrou, no caso do gás de botijão, que não quer altas de preços", disse.

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