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Petrobrás não comenta denúncia de espionagem contra a companhia

Documentos vazados pelo ex-agente da CIA Edward Snowden citam a estatal; ex-presidente da petroleira avalia o caso como 'abominável' e diz que governo precisa dar uma resposta pela via diplomática

Sabrina Valle, Agência Estado

09 de setembro de 2013 | 11h38

RIO - A Petrobrás informou na manhã desta segunda-feira, 9, via assessoria de imprensa, que não vai comentar a denúncia de que a Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA) usou aparato de espionagem para obter informações da companhia, mantendo o posicionamento de ontem.

A denúncia foi feita ontem em reportagem do "Fantástico", da Rede Globo, a partir de documentos vazados pelo ex-agente da CIA Edward Snowden. A apresentação da NSA que deu origem à reportagem não informa que dados teriam sido roubados.

Gabrielli. O ex-presidente da Petrobrás José Sergio Gabrielli considerou hoje "abominável" a tentativa da NSA de espionar a companhia. Gabrielli defende uma resposta contundente pela via diplomática do Brasil.

"A simples tentativa de 'hackear' informações da Petrobrás é abominável. Merece uma resposta enérgica por parte da diplomacia brasileira", disse ele, hoje secretário de Planejamento da Bahia.

Gabrielli ressalva que o sistema de tecnologia da Petrobrás "é muitíssimo bem protegido" e que a tentativa de invasão não significa que de fato tenha havido roubo de informações. Segundo ele, a empresa sofre milhares de tentativas de ataque cibernético.

"As tentativas de ataque são frequentes, corriqueiras, são milhares. Mas o fato de tentarem invadir não significa que houve sucesso", disse.

Gabrielli diz que informações econômicas e estratégicas da companhia podem ser motivo de espionagem, mas que tentar acertar o alvo de interesse não passa de especulação neste momento, sendo necessário apurar. O executivo lembra que, durante sua gestão, houve tentativa, por exemplo, de roubo de imagens submarinas, em área de produção offshore.

Paulo Roberto Costa. O ex-diretor da Petrobrás Paulo Roberto Costa disse hoje que a denúncia de uso de técnicas de espionagem pela NSA sobre a petroleira é um caso de soberania nacional e precisa ser respondido pelo governo, pela via diplomática.

"Essa questão transcende a Petrobrás. Se for confirmada, é um assunto de País. Compete ao governo tomar as medidas", disse.

O executivo, hoje à frente da Costa Global Consultoria, diz que a Petrobrás já se utiliza de todas as tecnologias de segurança que estão ao seu alcance, assim como outras petroleiras. Ele diz que não houve descuido da companhia e diz não ser evidente formas pelas quais a empresa poderia reforçar a defesa.

"Mesmo tomando todas as precauções possíveis, há indícios de que é possível transpor a segurança. Há informações na imprensa de que até dados criptografados são acessados. E aí, como fica? É complicado", disse.

Costa disse que as informações mais sensíveis a espionagem são quanto ao volume de reservas do pré-sal e às tecnologias de águas profundas desenvolvidas e utilizadas pela Petrobrás, que poderiam ser replicadas por outras empresas.

O dimensionamento da reserva, diz, desperta interesse por ter potencial para "alterar toda a geopolítica internacional". O executivo lembra que, apesar dos protestos de rua dos últimos meses, o Brasil "é um País muito tranquilo" e estável, especialmente em comparação com grandes produtores de petróleo no mundo, a exemplo de países de Oriente Médio e África.

As informações poderiam, também, ser usadas no primeiro leilão do pré-sal, no mês que vem, dando vantagem a um possível candidato e aumentando chances de vitória com melhor relação de custo e benefício.

"Com certeza, quem tem informações mais detalhadas pode fazer uma oferta mais competitiva", disse o executivo, que deixou a empresa há pouco mais de 1 ano.

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