Petrobras não confirma afastamento de funcionário

A Petrobras não divulgará detalhes sobre a investigação interna implementada para apurar as suspeitas de que um gerente executivo da companhia teria se beneficiado de informações privilegiadas sobre a compra do grupo Ipiranga. O funcionário, que pode ser tanto da Petrobras como das outras duas empresas que participaram da transação (Grupo Ultra e Braskem), teria sido afastado do cargo que ocupa na estatal, de acordo com nota divulgada nesta segunda-feira, dia 26, pelo jornal O Globo. A empresa não confirmou, contudo, se houve mesmo o afastamento do funcionário.O que já se sabe é que este funcionário teve sua conta bloqueada na sexta-feira, dia 21. Há a suspeita de que informações sobre a operação tenham vazado, o que beneficiou as pessoas que souberam do negócio. Neste caso, por exemplo, o funcionário da empresa comprou, no dia 13 de março, ações ordinárias (ON, com direito a voto) da companhia, quando elas estavam com preço mais baixo, e as vendeu no dia 19 de março, quando os papéis já tinham subido após o anúncio oficial da operação. Ou seja, sabendo da operação, ele pode comprar papéis em baixa e vender em alta, embolsando o lucro do negócio.O investidor também ganhou ao vender, entre os dias 13 e 14 de março, todas as ações preferenciais (PN, sem direito a voto) da Refinaria Ipiranga, que havia comprado a termo (operação de mercado futuro) em fevereiro de 2003. Isso porque, a partir do anúncio da operação, a tendência era de queda no valor das ações preferenciais da empresa, já que elas não estão envolvidas no negócio. O total dos recursos bloqueados deste investidor foi de cerca de R$ 295 mil e, segundo a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), a operação gerou um ganho de 70% para o funcionário. Alguns detalhes sobre as investigações poderão ser conhecidos na quarta-feira, dia 28, quando os presidentes da Petrobras, Braskem e Grupo Ultra vão debater a compra da Ipiranga, em audiência pública na Câmara dos Deputados. Os requerimentos convidando José Sérgio Gabrielli (Petrobras), Pedro Wongtschowski (Ultra) e José Carlos Grubisich (Braskem), foram aprovados pela Comissão de Minas e Energia da Câmara na semana passada.SuspeitasO que chamou a atenção da CVM e do mercado sobre um possível vazamento de informações foi o volume de ações do Grupo Ipiranga negociadas na semana que antecedeu o anúncio da venda. Entre os dias 12 e 16 deste mês, foram negociados R$ 24 milhões em ações ordinárias. É mais do que o dobro do volume negociado nos três meses anteriores, entre 2 de janeiro e 9 de março: R$ 11,6 milhões. A mudança de média diária dá a dimensão do salto: de R$ 290 mil, em três meses, para R$ 4,8 milhões na última semana.Além deste investidor que é funcionário de uma das empresas, outros três tiveram suas contas bloqueadas. Na quinta-feira, 22, foram bloqueados R$ 4 milhões de contas de um fundo sediado em Delaware, nos Estados Unidos, e de uma pessoa física.Na sexta-feira, dia 23, o outro suspeito apontado foi um cliente de uma corretora, que nos dias 14 e 15 de março comprou papéis ordinários da Refinaria Ipiranga e depois vendeu todas ações em 20 de março. Com esta operação, o investidor teve um ganho de 38% sobre o valor aplicado. Segundo a CVM, a própria corretora avisou a autarquia sobre a suspeita de uso de informação privilegiada no negócio. O total bloqueado é de R$ 860 mil.NegócioPetrobras, Braskem e o Grupo Ultra oficializaram na segunda-feira, dia 19, a compra do Grupo Ipiranga, em negócio de valor estimado em aproximadamente US$ 4 bilhões. O negócio envolve a Refinaria de Petróleo Ipiranga (RPI), a Distribuidora de Produtos de Petróleo Ipiranga (DPPI) e a Companhia Brasileira de Petróleo Ipiranga (CBPI).Pelos termos do negócio, o Grupo Ultra ficará com a rede de distribuição de combustíveis do Grupo Ipiranga nas regiões Sul e Sudeste e continuará operando com a marca Ipiranga. A Petrobras assumirá a rede de distribuição da Ipiranga no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e terá até cinco anos para uso da marca Ipiranga, período em que será substituída gradualmente pela marca Petrobras Distribuidora.No setor petroquímico, a Braskem passará a deter 60% dos ativos do Grupo Ipiranga no segmento e reforçará sua posição de controle na Copesul. A Petrobras terá a fatia restante de 40%.Em refino, as operações da Ipiranga no Rio Grande do Sul serão controladas, em partes iguais, pela Petrobras, pelo Grupo Ultra e pela Braskem, que se comprometem a dar continuidade às atividades.

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