Petrobras: não há 'gatilho' para aumento da gasolina

Os preços da gasolina e do diesel permanecem inalterados no Brasil há 31 meses, apesar das sucessivas e crescentes altas no preço do petróleo no mercado internacional. Hoje, mantendo o mesmo discurso dos últimos anos, a Petrobras, por meio de sua assessoria de imprensa, reafirmou que acompanha as oscilações nos preços internacionais sob perspectiva de médio e longo prazos.Uma fonte da estatal comentou que não há um teto para o preço de petróleo que funcione como gatilho detonador para o aumento no mercado interno. A avaliação técnica da Petrobras é de que é possível que o barril do petróleo ultrapasse a barreira dos US$ 125, mas isso está sendo atribuído a uma migração de investidores que antes aplicavam no setor imobiliário e, com a crise do crédito de alto risco de inadimplência nos EUA (subprime), optaram pelo setor de petróleo.No último aumento da gasolina (10%) e do diesel (12%), em setembro de 2005, a estatal informou que considerava como um novo patamar os US$ 64,08 alcançados então como valor de referência para o petróleo em Nova York. Antes, quando os preços domésticos acompanhavam com maior similaridade os movimentos de preço internacionais, a gasolina chegou a ser reajustada nove vezes em 2002 (três quedas e seis aumentos); uma vez em 2003 (queda), e três vezes em 2004 (aumentos).A partir de então, foi anunciado que reajustes, para cima ou para baixo, somente ocorreriam quando fosse detectado um novo patamar para o preço do petróleo. Mas, há uma explicação ainda mais plausível para o "congelamento" dos preços. A empresa atravessa situação incomum, de perda de mercado consumidor de gasolina para o álcool. Em fevereiro, pela primeira vez na história, as vendas de álcool ultrapassaram as de gasolina.De acordo com dados da Agência Nacional do Petróleo, naquele mês as vendas de álcool (anidro e hidratado) atingiram 1,432 bilhão de litros, ante 1,411 bilhão de litros de gasolina, reflexo direto do aumento da frota dos carros com tecnologia flex. Um aumento agora nos derivados de petróleo aumentariam a vantagem do álcool. A Petrobras já vem exportando o excedente da produção de gasolina, mas por um preço mais baixo do que o que alcançaria no mercado interno, devido à qualidade do produto nacional.

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