Petrobras não negociará refinaria por oleoduto, diz Dutra

O projeto da nova refinaria da Petrobras poderá ser retardado em até dois anos, em virtude da queda de consumo de derivados de petróleo no País, informou hoje o presidente da empresa, José Eduardo Dutra. Ele assegurou que não há possibilidade de o projeto ser implantado em São Paulo e afastou, também, qualquer possibilidade de que seja usado como moeda de troca com o governo do Rio de Janeiro para que seja autorizada a construção de um oleoduto naquele Estado. "Se se espera que a Petrobras venha a estabelecer uma troca entre oleoduto e refinaria, isso não vai acontecer", afirmou Dutra, após fazer uma exposição, no plenário da Câmara dos Deputados, onde o projeto do oleoduto está sendo debatido por uma comissão geral. Dutra informou que a decisão sobre a construção do oleoduto terá que ser tomada nas próximas duas semanas, observando que, se não for possível construí-lo, haverá necessidade de modificar o projeto da plataforma P-52, que já está com contrato assinado. A plataforma deverá ser usada na Bacia de Campos e contribuirá para a auto-suficiência do País na produção de petróleo, devendo entrar em operação em 2007. Sem oleodutos, navios Dutra voltou a afirmar que, se o oleoduto não for construído por falta de autorização ambiental dos municípios fluminenses por onde passará, o petróleo será transportado por navios. "São R$ 4 bilhões que vão deixar de ser investidos no Rio de Janeiro", ponderou. Segundo ele, a empresa planeja investir US$ 29 bilhões ate 2007 e, desse total, US$ 16 bilhões serão investidos no Rio de Janeiro. Enquanto a decisão sobre o oleoduto é urgente, a Petrobras tem uma folga maior para discutir a nova refinaria, segundo Dutra. Ele disse que a data de 2008, para a entrada em operação da nova refinaria, fixada inicialmente pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), era baseada na previsão de consumo de 2,5 milhões de barris diários de petróleo em 2010, mas que a previsão da Petrobras para aquela data é de um consumo de apenas 2,1 milhões. "Há uma diferença de 500 mil barris, porque a ANP talvez não esteja levando em conta uma série de coisas, como o aumento do (uso) do gás natural na matriz energética brasileira", afirmou Dutra. Segundo ele, para 2003, a estimativa da ANP era de um consumo de 2 milhões de barris, mas ele ficou em apenas 1,7 bilhão.

Agencia Estado,

16 Março 2004 | 13h55

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