Petrobrás não venderá a BR Distribuidora, diz conselheiro

Representante dos funcionários no conselho diz que o presidente da estatal teria descartado essa possibilidade

ANTONIO PITA , FERNANDA NUNES, O Estado de S.Paulo

01 Abril 2015 | 02h10

Mesmo "desesperada" para recompor seu caixa, a Petrobrás não deve colocar a venda a subsidiária BR Distribuidora, como era especulado no mercado há semanas. Na última reunião do conselho de administração, dia 27, o presidente da estatal, Aldemir Bendine, teria descartado a possibilidade, segundo relato do conselheiro Silvio Sinedino, representante dos funcionários.

Ontem, a petroleira anunciou a primeira operação de desinvestimento deste ano, no valor de US$ 101 milhões por ativos na Argentina.

Em entrevista veiculada na internet, Sinedino relatou as críticas ao presidente da estatal sobre as negociações para venda de participações na subsidiária BR Distribuidora e de parte da frota da Transpetro. "O plano de desinvestimentos está em todos os jornais e não passou pelo conselho? Questionei o presidente Bendine e ele afirmou que a BR não seria vendida."

No mercado, especulava-se que a subsidiária de distribuição de combustíveis estaria sendo negociada com bancos privados interessados em adquirir uma parcela de 49%. A venda ainda consideraria o repasse da gestão da empresa para os novos sócios, por meio de um acordo de acionistas.

Sinedino classificou como "absurda" a venda de ativos em uma "péssima hora" para a estatal. "Todo mundo sabe que a Petrobrás está desesperada por dinheiro. O governo provocou prejuízo de US$ 20 bilhões com os subsídios ao combustível entre 2011 a 2014. Deviam cobrar do governo", ironizou.

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"O plano de desinvestimentos está em todos os jornais e não passou pelo conselho? Questionei o presidente Bendine e ele afirmou que a BR não seria vendida" - Representante dos funcionários no Conselho da Petrobrás
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A estatal quer vender US$ 13,7 bilhões em ativos até 2016. O primeiro negócio foi anunciado ontem, com a venda integral de 26 concessões de áreas de exploração e toda a infraestrutura sediada na Bacia Austral, na Argentina. A operação com a Compañia General de Combustibles foi calculada em US$ 101 milhões, mas está sujeita a aprovação dos órgãos reguladores locais.

Endividamento. O objetivo da venda é recompor o caixa e aliviar o endividamento acima de R$ 300 bilhões da petroleira, a mais endividada do mundo. "Se for analisar comercialmente isso, é complicada a situação. Mas ela não é uma empresa comum, vai se recuperar com a própria geração de caixa", avalia Sinedino.

Apesar da delicada situação financeira, a estatal propôs um reajuste nos salários de conselheiros e diretores em 26,5% em 2015, o que elevaria a remuneração total de R$ 17,5 milhões, em 2014, para R$ 22,2 milhões. A comparação considera que a estatal tem agora um diretor a mais, de governança, contratado após os escândalos da Operação Lava Jato, da Polícia Federal.

O assunto será debatido na próxima assembleia-geral de acionistas, no dia 29. Sinedino afirmou que a proposta "não é clara o suficiente". A estatal, em nota, disse que o reajuste considera a taxa de inflação projetada pelo Banco Central para o ano, e que a proposta incorpora valores relativos "à assistência médica, passagens aéreas e auxílio-moradia".

Por outro lado, a empresa descartou a divulgação dos balanços pendentes de 2014 a tempo de serem avaliados na assembleia "apesar dos melhores esforços empregados". Além da dificuldade de contabilizar as perdas com a corrupção, a estatal também precisa convencer sua auditoria independente, a PricewaterhouseCoopers, a assinar o balanço.

Segundo Sinedino, a assinatura está condicionada ao resultado das investigações realizadas por escritórios de advocacia sobre funcionários da estatal que estariam ligados a irregularidades e poderiam interferir nas informações contábeis.

"Existem 2 mil pessoas sendo investigadas. Dessas, 150 estariam ligadas ao balanço e a elas estaria sendo dada prioridade para ter a assinatura da auditoria. Agora são só 35 pessoas. É o que falta para fechar", explicou o conselheiro.

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