Petrobrás negocia US$ 10 bi com a China

Garantia serão 200 mil barris de petróleo por dia por 10 anos; estatal, que já tem outro empréstimo no mesmo valor, nega negociação

Cláudia Trevisan, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

27 de maio de 2010 | 00h00

A Petrobrás negocia novo empréstimo bilionário com Banco de Desenvolvimento da China (BDC). Duas fontes ouvidas pelo "Estado" afirmaram que, além do BDC, a estatal negocia linhas de financiamento com outras instituições, como o Bank of China e o Industrial and Commercial Bank of China. A Petrobrás negou a informação do novo crédito.

Há um ano, o BDC concedeu crédito de US$ 10 bilhões à Petrobrás. Em troca, a estatal assinou um contrato de fornecimento de petróleo por dez anos com a estatal chinesa Sinopec, que previa a entrega de 150 mil barris/dia no primeiro ano e 200 mil barris/dias no período restante.

Segundo a assessoria de imprensa da Petrobrás, as informações do Diário do Povo e do Global Times, ambos ligados ao Partido Comunista, atribuídas à Sinopec, se referem ao contrato firmado no ano passado e não a outro financiamento. A estatal também nega que negocia novos empréstimos com os chineses.

As fontes ouvidas pelo Estado afirmam que o valor do financiamento em negociação gira em torno de US$ 10 bilhões e teria como garantia a entrega de petróleo. Mas antes de fechá-lo, a estatal precisa ter segurança de que terá produção suficiente para entregar volume próximo de 400 mil barris/dia de petróleo para a China sem prejudicar o suprimento de outros mercados.

Cooperação. Durante a visita do presidente Hu Jintao ao Brasil, em abril, a Petrobrás assinou com o BDC um acordo de cooperação que previa a possibilidade de concessão de empréstimos no futuro. Paralelamente, foi firmado memorando de entendimento com a Sinopec para formar parcerias em exploração, produção e refino de petróleo, além de negócios em petroquímica, transportes e fertilizantes.

Dentro dessa negociação, a Sinopec deverá comprar parte da participação da Petrobrás nos campos PAMA-3 e PAMA-8, na Bacia do Pará-Maranhão. As duas estatais também estudam a realização de contratos para contratação de serviços, como os de transporte de petróleo.

Interesse. Segundo maior consumidor de petróleo do mundo, a China demonstra interesse crescente no mercado brasileiro em sua tentativa de garantir fontes seguras de fornecimento do produto.

O porcentual de importações atingiu no mês passado o patamar recorde de 54% do consumo chinês de petróleo e essa taxa deve continuar subindo nos próximos anos. Em abril, o Brasil foi o décimo maior fornecedor de petróleo da China.

Outros negócios. Na semana passada, a estatal Sinochem pagou US$ 3,07 bilhões por 40% do campo de petróleo Peregrino, na Bacia de Campos, pertencente à empresa norueguesa State Oil. Empresas chinesas também manifestaram interesse em participar dos leilões de concessão de exploração realizados pela Agência Nacional de Petróleo (ANP).

A China também tem interesse em exportar máquinas e equipamentos para o Brasil. O contrato de empréstimo assinado estabelece que 30% do valor devem ser usados na compra de equipamentos chineses. Porém, até agora, a Petrobrás não utilizou essa parte do empréstimo.

PARA LEMBRAR

O avanço chinês

As empresas chinesas começaram a investir pesado no Brasil. Na semana passada, a estatal chinesa Sinochem anunciou acordo com a norueguesa Statoil pra comprar 40% de um campo de petróleo na Bacia de Campos. Alguns dias antes, a State Grid (também estatal) comprou sete concessionárias de transmissão de energia no País. Em abril, a Wisco adquiriu uma fatia da mineradora MMX, de Eike Batista

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