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Petrobrás negocia venda de energia das térmicas

A Petrobrás está negociando contratos bilaterais de venda da energia das usinas térmicas que continuará construindo. De acordo com o gerente executivo de geração da companhia, Geraldo Baltar, o objetivo é evitar o mercado spot (à vista), paralisado devido às indefinições do setor. A empresa reduziu o número de projetos térmicos pela metade, dentro da estratégia de pisar no freio nos investimentos em geração. Dos 26 projetos previstos anteriormente, apenas 13 sairão do papel, diz Baltar. Este número inclui as duas usinas mercantis da Enron e da El Paso, nas quais a empresa tem participação na energia gerada. As usinas garantirão à estatal um volume de energia de cerca de 3,7 mil MW, ante os 9 mil MW previstos no início do programa termelétrico. "Não vamos iniciar nenhum novo projeto por enquanto. Já gastamos um dinheiro razoável e temos o risco de não conseguir comercializar a energia de forma que remunere o investimento", afirmou o executivo.A empresa já tem uma equipe comercial em contato com possíveis clientes desta energia. "Até agora não fechamos nenhum, temos apenas acordos de interesse, porque a Petrobrás Energia ainda não foi instituída oficialmente", disse Baltar. Anteontem, o presidente da estatal, Francisco Gros, admitiu a possibilidade de vender participações em térmicas, caso haja interessados, devido ao alto risco do negócio."Com as regras atuais, ninguém investirá em térmicas e quem já investiu está arrependido", diz o consultor Adriano Pires, do Centro Brasileiro de Infra-estrutura (CBIE). De fato, outro grande investidor, a portuguesa EDP, está reavaliando um dos projetos em que está envolvida. "Ainda não temos indicação de abandonar o projeto, mas estamos reavaliando o invetimento dentro do quadro atual", disse o presidente da companhia no País, Eduardo Bernini.A expectativa de especilistas é que só as térmicas já iniciadas saiam do papel. O programa prioritário de termeletricidade proposto pelo governo previa 57 usinas. "Acho uma decisão precipitada abandonar projetos enquanto os reservatórios estão cheios. Isso pode causar um problema de abastecimento no médio prazo", alerta o ex-secretário de energia do Rio, Wagner Victer.Na sua opinião, falta uma política para o gás natural que viabilize os investimentos em térmicas. Um investidor que preferiu não se identificar concorda. "Há uma rigidez leonina nos contratos", disse. O fato é que o mercado não acredita que o governo conseguirá estabelecer o novo modelo que vem sendo preparado pelo Comitê de Revitalização do Setor antes das eleições.A conclusão dos estudos deveria ficar pronta em março, antes do início do calendário eleitoral, mas foi adiado e até agora não foi apresentado aos investidores. O coordenador do comitê, Octávio Castello Branco, foi procurado mas não retornou à solicitação de enetrevista.

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