Paulo Whitaker Reuters
Paulo Whitaker Reuters

Governo quer Petrobras no Novo Mercado e ações da estatal em fundo de erradicação da pobreza 

Novo mercado é um segmento de maior governança da B3; o fundo de erradicação da pobreza tem sido abastecido com recursos do pré-sal

Adriana Fernandes, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2022 | 16h44

BRASÍLIA - Os estudos para a inclusão da Petrobras no Novo Mercado avançaram, informaram fontes credenciadas do governo Jair Bolsonaro. O novo mercado é um segmento de maior governança da B3, a bolsa brasileira.

A ideia do governo é também transferir as ações da petrolífera na carteira do BNDES para o fundo de erradicação da pobreza, que já existe e que tem sido abastecido com recursos do pré-sal. O Ministério da Economia quer ampliar com outros ativos do governo, entre elas as ações da Petrobras. O valor dessas ações, antes da guerra da Ucrânia, estava em torno de R$ 30 bilhões. 

No caso da Petrobras, para o fundo vender as ações, seria necessária uma mudança na Constituição. O plano do governo é preparar o terreno para a privatização da empresa num eventual segundo mandato do presidente Jair Bolsonaro, que busca a reeleição este ano. A percepção de integrantes do governo é que essa possibilidade ganhou mais adeptos entre aliados depois do imbróglio em torno da alta dos preços dos combustíveis e da dificuldade de se fazer a troca de comando da empresa. Na eleição de 2018 e no início do governo, o presidente se manifestou diversas vezes contrário à venda da Petrobras.

A proposta é batizá-lo de Fundo Brasil, com recursos destinados para programas sociais e também investimentos. As conversas estão sendo feitas pelo Ministério da Economia com o BNDES.

Em evento ontem promovido pelo Bradesco, o ministro da Economia, Paulo Guedes, já falou na possibilidade de a Petrobras migrar para o Novo Mercado. Guedes disse que o presidente Jair Bolsonaro está disposto a avançar na desestatização da petroleira. Ele mesmo acenou com a possibilidade de a empresa ir ao mais alto nível de governança corporativa: “Quem sabe a Petrobras não vai para o Novo Mercado?”.

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