Petrobras perde disputa em Angola para chinesas

As empresas Sinpec e Cnooc, da China, devem levar participação em bloco na costa angolana por US$ 1,8 bi

Hélio Barboza, da Agência Estado,

01 Outubro 2008 | 06h28

A Petrobras deve perder a disputa pela compra da participação da Marathon Oil na exploração de um bloco petrolífero em águas profundas em Angola, segundo duas fontes próximas à negociação. A China Petrochemical Corp., mais conhecida como Sinopec, e a Cnooc, respectivamente a segunda e a terceira maiores companhias petrolíferas da China, estão perto de fechar por US$ 1,8 bilhão a compra da participação de 20% no Bloco 32 da costa angolana, disseram as fontes.   Além da Petrobras e da oferta conjunta feita pelas chinesas, estava na concorrência a ONGC Videsh Ltd., braço de investimentos no exterior da estatal indiana Oil & Natural Gas Corp.   Antes de anunciar o fechamento do negócio, a Sinopec e a Cnooc ainda vão negociar outros termos do acordo de compra e venda com a norte-americana Marathon, além de buscar a aprovação dos governo de Angola e da China. De acordo com uma das fontes, isso pode levar mais duas semanas.   A Marathon pretende ficar com uma participação de 10% no bloco 32, onde 11 poços já foram perfurados com sucesso. A empresa norte-americana e a Cnooc não quiseram comentar o assunto e a Sinopec não estava disponível para entrevistas.   As gigantes estatais do setor petrolífero chinês estão acelerando as buscas por ativos estrangeiros para enfrentar a estagnação da produção doméstica, num momento em que a produção de gás natural também não consegue acompanhar o ritmo de crescimento da demanda. Na semana passada, a Sinopec ganhou a disputa pela canadense Tanganyika Oil, que possui campos petrolíferos na Síria.   A companhia também tentou comprar recentemente a Imperial Energy, empresa listada na Bolsa de Londres cujos ativos ficam na Rússia, mas a oferta foi derrotada pela da ONGC. Já a Cnooc fez uma oferta entre US$ 300 milhões e US$ 700 milhões pelos ativos de petróleo e gás natural postos à venda em Trinidad e Tobago pela canadense Talisman Energy, segundo uma fonte próxima.   O interesse no Bloco 32 foi deflagrado pela decisão tomada no início deste ano pela Marathon, de rever todos os ativos em sua carteira global, incluindo refinarias e projetos petrolíferos em desenvolvimento ou já em produção. O Bloco 32 é operado pela francesa Total, com 30% de participação. A norte-americana ExxonMobil tem 15%, enquanto a estatal angolana Sonangol e a Petrogal (unidade da portuguesa Galp), possuem 20% e 5%, respectivamente. Não está claro se alguma dessas empresas vai exercer seus direitos de preferência.

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