Lucas Lacaz Ruiz/Estadão
Lucas Lacaz Ruiz/Estadão

Petrobrás perde R$ 150 milhões por ano com furto de combustíveis

Preocupada com a escalada do número de furtos, que mais do que triplicou nos últimos três anos, estatal lançará programa de combate à ação de grupos criminosos; petroleira também teme efeitos dos vazamentos nas comunidades próximas aos dutos

Fernanda Nunes e Mônica Ciarelli, O Estado de S.Paulo

06 de junho de 2019 | 05h00

RIO - A ação de grupos criminosos nos dutos de transporte de petróleo e derivados já causa prejuízo de R$ 150 milhões à Petrobrás por ano. Preocupada com a escalada do número de furtos de combustível, que mais do que triplicou em três anos, a estatal lança nesta sexta-feira, 7, um programa de inteligência e segurança, o Pró-Dutos.

Além de perdas financeiras, a empresa quer evitar também que se repita no País o cenário de violência vivido no México, onde o furto em dutos motiva assassinatos e impõe custos anuais de cerca de US$ 1,5 bilhão à petroleira Pemex.

No Brasil, entre tentativas e episódios efetivos de furto, foram registrados 72 casos em 2016. No ano passado, o total subiu para 261, a maior parte em São Paulo (151) e no Rio de Janeiro (69). A avaliação da estatal, segundo fontes, é que organizações criminosas descobriram que a venda irregular de combustíveis é um bom negócio, principalmente em períodos em que os preços dos combustíveis estão mais altos e a economia em recessão. Procurada, a Petrobrás confirma o lançamento do programa.

Na maior parte das vezes, o foco dos bandidos é o petróleo no estado bruto (40%), mas há furtos também de derivados, como gasolina, óleo diesel e até nafta petroquímica, que, misturada a combustíveis automotivos, tende a parar nos postos revendedores e nos tanques dos motoristas.

O problema chegou ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, que, frequentemente, tem a entrega de combustível de aviação interrompida porque a Transpetro, subsidiária da Petrobrás que opera os dutos, é obrigada a paralisar a atividade de tubulações onde atuaram criminosos.

Além da perda de receitas, a Petrobrás está preocupada com efeitos dos vazamentos nas comunidades que se instalaram próximas aos dutos, dizem as fontes. No fim do mês passado, uma criança de 9 anos morreu em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, após cair numa poça de gasolina pura que escapou de um duto perfurado. O temor da empresa é que fatalidades como essa se repitam e tomem proporções maiores, colocando em risco comunidades inteiras.

Estratégia batizada de 'método margarida'

Na tentativa de evitar o avanço da ação de bandidos, a estatal traçou uma estratégia internamente batizada de “método margarida”. O nome faz referência à imagem de uma flor formada por oito pétalas, que representam as linhas de ataque do Pró-Dutos.

A ideia é reunir autoridades em torno do combate aos furtos e formar parcerias, que podem incluir até mesmo petroleiras concorrentes, além da Polícia Federal, Ministério Público e entidades de Defesa e Justiça. Nesta sexta serão firmados acordos com os governos dos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro.

Funcionários da estatal e juristas ainda trabalham na formulação de um texto que deve servir de base para um marco legal que será apresentado ao Congresso pelo governo federal.

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