Sergio Moraes/Reuters
Sergio Moraes/Reuters

finanças

E-Investidor: "Você não pode ser refém do seu salário, emprego ou empresa", diz Carol Paiffer

Petrobrás perde R$ 91,1 bi em valor de mercado, na maior queda desde 1986

Ações da petroleira caíram quase 30% nesta segunda, nas maiores perdas diárias desde 1990; setor bancário teve recuo generalizado

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

09 de março de 2020 | 11h54
Atualizado 09 de março de 2020 | 22h24

Em um único dia, a Petrobrás perdeu R$ 91,120 bilhões em valor de mercado, maior queda desde 1986. Os papéis ON caíram 29,68%, a R$ 16,92, e as ações PN tiveram baixa de 29,70%, a R$ 16,05, nesta segunda-feira, 9.

Foram as maiores quedas diárias de ambos os papéis desde 1990, de acordo com dados da Economatica obtidos pelo Estadão/Broadcast. O derretimento do petróleo no mercado internacional e os temores com a economia mundial levaram à queda acentuada das ações. O efeito desses fatores sobre a Bolsa afetou também o setor de bancos.

De acordo com levantamento da Economatica, a baixa de Petrobras ON foi a maior desde 2 de abril de 1990, dia em que a ação despencou 41,49%. No caso dos papéis preferenciais, foi o maior recuo desde 21 de março daquele mesmo ano, quando as ações caíram 33,33%.

A queda de valor de mercado registrada nesta segunda, porém, supera de longe a maior registrada na mesma série, que vem desde 1986. Até então, o recorde de desvalorização nominal era de R$ 47,268 bilhões, registrado em 24 de maio de 2018.

Analistas apontaram que, com esse recuo, as ações da petrolífera perderam os pontos de suporte, ou seja, os preços mínimos que poderiam atingir dado o histórico recente de cotações. "O ponto de suporte da Petrobrás estava em R$ 17, que ela já perdeu. O próximo é em R$ 14", afirmou Marcio Gomes, analista CNPI da Necton.

Uma recuperação de parte dessa queda vai depender do noticiário sobre o petróleo nos próximos dias. "Se não houver mais nenhuma novidade negativa que possa gerar impacto nos preços do petróleo, eu acredito que há uma possibilidade de recuperação dos preços", disse Filipe Villegas, estrategista da Genial Investimentos. 

A petrolífera fechou com o menor valor de mercado desde 27 de junho de 2014. Naquele dia, a empresa tinha capitalização de mercado de R$ 215,806 bilhões. Nesta segunda, o valor ficou em R$ 215,839 bilhões.

Os contratos futuros de petróleo tiveram a maior queda desde 1991, com a Guerra do Golfo. O WTI para abril despencou 24,85%, a US$ 31,13, enquanto que o Brent para maio derreteu 24,10%, a US$ 34,36. Por aqui, além da Petrobrás, a PetroRio teve forte queda, de 36,54%, a segunda maior de todo o mercado.

Bancos

O setor bancário, que vinha tendo desempenho em geral menos negativo que o do Ibovespa, recuou em bloco: Banco do Brasil ON caiu 11,04%, as Units de Santander Brasil recuaram 9,92%, Bradesco ON caiu 9,80% e Bradesco PN teve baixa de 7,20%. Itaú Unibanco PN caiu 6,93%.

Fábio Galdino, chefe da área de renda variável da Vero Investimentos, disse que o setor acompanhou a venda generalizada vista no mercado. "Os bancos tiveram desempenho pior que o Ibovespa no final de 2019, e por isso seguraram mais nos últimos dias, mas hoje estão incorrendo no movimento global. E fica a observar a possível deterioração do setor de crédito lá foram", afirmou.

Villegas, da Genial, explicou ainda que a maior variação negativa do Banco do Brasil embutiu o fato de ele ser estatal. "O mercado hoje está mais conservador, e pelo simples fato de o BB ser estatal, há uma aversão maior ao papel", disse. Movimento semelhante foi visto em Eletrobrás, de acordo com o profissional: o papel ON caiu 14,84%, e o PNB, 13,28%.

Vale e siderúrgicas

Expostas ao cenário internacional, embora mais afetadas pela disseminação do coronavírus do que pelas cotações do petróleo, Vale e siderúrgicas também tiveram baixas expressivas. CSN ON, com queda de 25,29%, só recuou menos que as ações da Petrobrás. Usiminas PNA caiu 16,14% e Gerdau PN, 17,96%. Vale ON caiu 15,20%.

Henrique Esteter, analista da Guide, explicou que embora o petróleo tenha caído mais que o minério de ferro nas negociações desta segunda, o movimento geral do mercado contaminou papéis de commodities em geral. "Na madrugada, a ação da BHP, que é concorrente da Vale, caiu forte na Austrália. O movimento é muito mais global do que local e específico."

Para entender: árabes e russos disputam preço

O pânico no mercado de petróleo começou ainda no domingo, 8, quando as duas principais cotações (Brent e WTI) abriram com queda de quase 30%. Na noite de sábado, a petrolífera estatal saudita, Saudi Aramco, anunciou aumento da produção e redução de preços, após a Rússia vetar um acordo da Organização dos Países Exportadores de Petróleo e aliados (Opep+).

A medida foi interpretada como a deflagração de uma “guerra de preços”. Segundo analistas, o objetivo da manobra saudita seria forçar os russos a retomarem as negociações sobre cortes na produção, para fazer frente ao recuo da demanda global em meio ao surto de coronavírus. “No momento em que o mundo precisa de menos petróleo, Arábia Saudita e Rússia estão prestes a abrir suas torneiras”, define o banco Julius Baer.

Em relatório divulgado ontem, a Agência Internacional de Petróleo (AIE) estimou que o consumo de petróleo pode cair até 730 mil barris por dia este ano, o maior recuo desde 2009, quando os efeitos da crise financeira ainda eram sentidos.

Os contratos futuros de petróleo fecharam ontem na maior queda diária desde a Guerra do Golfo, em 1991. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.