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Petrobrás pesa e Bovespa recua 2,10%; no mês sobe 3,15%

Forte recuo do Ibovespa também foi influenciado pelo fraco desempenho das bolsas no mercado internacional

Claudia Violante, da Agência Estado,

31 de agosto de 2009 | 17h28

A apresentação do marco regulatório do pré-sal encontrou um ambiente externo adverso nesta segunda-feira, 31, e o resultado sobre as ações da Petrobrás foi desastroso. Os papéis despencaram influenciados pelo tombo do petróleo no exterior e com o receio dos investidores em relação às regras do novo marco ainda sendo digeridas. Mas o forte recuo do Ibovespa teve mais do que o dedo de Petrobrás: poucas ações subiram, em razão do desempenho das bolsas externas. A China capitaneou as perdas deste último pregão de agosto.

 

O Ibovespa terminou o dia em baixa de 2,10%, aos 56.488,98 pontos. No mês, registrou ganho de 3,15% - excetuando-se os dois meses em que a Bovespa recuou (fevereiro, -2,8%, e junho, -3,2%) foi a menor alta de 2009. O giro financeiro totalizou R$ 5,667 bilhões. Os dados são preliminares.

 

O sinal negativo já emanava do exterior logo cedo, com o tombo das bolsas da Ásia - em particular a China - ecoando sobre os demais mercados. O temor de contração nos empréstimos pelo governo continua como pano de fundo e, hoje contou com o anúncio do lançamento de IPO pela Metallurgical Corp. of China para azedar os humores, ao levantar preocupações sobre o excesso de oferta no mercado. Os investidores venderam papéis e levaram o índice Xangai a cair 6,7%, na pior pontuação desde 27 de maio.

 

O sinal vermelho se arrastou pela Europa, onde as bolsas também caíram, e pelos Estados Unidos, onde foi conhecido hoje o índice dos gerentes de compras de Chicago. Mas, embora tenha superado as previsões ao subir de 43,4 em julho para 50 em agosto, acima dos 48 estimados, não fez preço sobre os ativos. As bolsas recuaram, influenciadas pelo comportamento das commodities - o petróleo voltou a fechar abaixo de US$ 70 o barril e os metais negociados nos EUA também recuaram.

 

O Dow Jones terminou a sessão em baixa de 0,50%, aos 9.496,28 pontos, o S&P500 recuou 0,81%, aos 1.020,62 pontos e o Nasdaq terminou com variação negativa de 0,97%, aos 2.009,06 pontos.

 

No Brasil, todas as atenções estavam voltadas para as ações da Petrobrás, que despencaram. As ON recuaram 4,48% e as PN, 3,59%. Além do tombo do petróleo - o contrato para outubro negociado na Nymex fechou em baixa de 3,82%, para US$ 69,96 o barril - o anúncio do marco regulatório do pré-sal influenciou as decisões de venda dos investidores.

 

"Ninguém ainda sabe precisar os termos, então é natural o comportamento do investidor", justificou o superintendente de renda variável da SulAmérica Investimentos, Ricardo Maeji.

 

Pela manhã, a estatal divulgou um comunicado ao mercado confirmando proposta da União para subscrever ações da Petrobrás. Essa capitalização, diz o texto, seguirá a Lei das S.A e será observado o direito de preferência dos acionistas. O documento não trouxe detalhes sobre o valor da subscrição.

 

À tarde, durante o anúncio das regras, a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, confirmou que a Petrobrás foi escolhida para operar todos os blocos e justificou que a escolha se deve ao fato de que é o operador que "tem acesso a informações estratégicas sobre a bacia e o bloco, além de controlar o ritmo da produção e os custos."

 

O governo enviará ao Congresso quatro projetos: 1) definição do marco regulatório para exploração de petróleo na camada pré-sal; 2) criação de uma nova estatal; 3) criação de um fundo social para investimentos em educação e cultura, ciência e tecnologia, erradicação da pobreza e desenvolvimento ambiental; 4) capitalização da Petrobrás.

 

Com a queda das commodities, Vale também terminou em baixa firme também com a influência da China. As ações ON perderam 3,19% e as PNA, 2,08%. Nas siderúrgicas, Gerdau PN, -2,99%, Metalúrgica Gerdau PN, -2,51%, Usiminas PNA, -2,68%, e CSN ON, -2,78%.

 

Para setembro, que começa amanhã, a previsão é de cautela nos mercados, diante do histórico do mês - atentado nas Torres Gêmeas e quebra do Lehman Brothers. Mas a volta do Hemisfério Norte das férias de verão pode ser positiva para os emergentes, em especial o Brasil, na avaliação de Maeji, da SulAmérica. "Os investidores voltam ao trabalho e é hora de realocar as carteiras. Podem sobrar recursos para a Bovespa", avaliou, ao citar as boas condições do País. Hoje, por exemplo, o IBGE divulgou a produção industrial, que surpreendeu positivamente ao subir 2,2%, em julho ante junho - o teto das previsões era de 2%. "A tendência é de alta para a Bovespa", acrescentou.

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