Sérgio Moraes/Reuters
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Combustíveis fósseis continuam no foco da Petrobrás até 2030

Planejamento da estatal para a próxima década não prevê investimentos em energias renováveis; porém, de olho no meio-ambiente, petroleira vai fabricar três novos derivados de petróleo e gás de bases renováveis

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

18 de setembro de 2020 | 17h49

RIO - A Petrobrás traçou um plano com projetos e produtos nas áreas de refino e gás natural nos quais pretende investir até 2030. O coração do seu negócio continua a ser o pré-sal. Mas ativos das outras duas áreas que permanecem em seu portfólio também vão receber dinheiro para que sejam adaptados a um novo ambiente de negócios, de mais concorrência e exigências ambientais.

Os insumos fósseis continuam sendo a prioridade da estatal. No plano para a próxima década, não foram incluídos projetos de energias renováveis. A exceção é um estudo para instalar turbinas eólicas flutuantes que devem fornecer energia para o funcionamento de equipamentos submarinos de campos do pré-sal.

O desenho do que a Petrobrás quer ser no futuro foi apresentado aos seus empregados na última quinta-feira, 17, em evento virtual. O Estadão/Broadcast teve acesso à apresentação aos funcionários.

A empresa divide seu planejamento para as áreas de refino e gás natural em dois novos programas - o Biorefino, de adaptação das unidades de processamento de petróleo e gás para a descarbonização dos derivados de petróleo; e o Gás+, por meio do qual a empresa espera se preparar para um ambiente de livre mercado, com a entrada de concorrentes em segmentos da cadeia dos quais abriu mão de participar.

No Biorefino, um dos pilares será a integração da Refinaria de Duque de Caxias (RJ), na baixada fluminense, ao Gaslub, no município de Itaboraí, na região metropolitana do Rio. Gaslub é o novo nome dado ao Complexo Petroquímico do Estado do Rio de Janeiro (Comperj), que teve as obras paralisadas e agora está sendo adaptado para processar parte do gás natural que será produzido no pré-sal da Bacia de Santos.

Dessa integração devem sair três tipos de produtos, que utilizarão como matéria-prima também o petróleo do pré-sal: o diesel S-10, de consumo automotivo, derivados de baixo teor de enxofre, e lubrificantes de segunda geração. Ainda está sendo avaliada para o Gaslub a instalação de uma nova usina térmica de 1600 megawatts (MW) e consumo de gás natural de 6 milhões de m³ por dia a carga plena.

Para fazer frente a um cenário com exigências ambientais mais restritivas, a Petrobrás também aposta na fabricação de três novos derivados de petróleo e gás de bases renováveis. O diesel verde está em fase de teste na Refinaria do Paraná, mas ainda depende de definições regulatórias para ser comercializado. Já o bioqav será uma versão mais limpa do querosene de aviação que comercializa atualmente. E há ainda a nafta renovável. Os três produtos devem ser misturados a derivados de petróleo antes de serem comercializados.

Na área de Gás e Energia, o projeto passa pela associação de usinas térmicas de geração de eletricidade ao gás natural do pré-sal, que pode ser usado como insumo. Segundo a apresentação aos funcionários, o programa Gás+ será a "alavanca para a sustentabilidade do segmento", a partir da adoção de medidas inovadoras, eficientes e competitivas. Para isso, a Petrobrás aposta, principalmente, na utilização de ferramentas de marketing.

A ideia é oferecer produtos customizados à demanda dos clientes, que devem se diferenciar em prazos e locais de entrega. Para isso, a empresa pretende criar mercados spots, de longo, médio e curto prazos na área de gás e energia.

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