Fábio Motta / Estadão
Fábio Motta / Estadão

Petrobrás pode acelerar processo de desinvestimento após boa negociação com a TAG, dizem bancos

Somente com a venda da TAG, a Petrobras conseguirá cobrir, de uma só vez, 1/3 da sua meta de venda de ativos, traçada em US$ 26,9 bilhões

Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2019 | 13h37

Após um aparente desfecho favorável das negociações envolvendo a TAG, bancos projetam que a estatal poderá acelerar seu processo de desinvestimento e poderá até bater suas metas estipuladas para o fim de 2020 antes do prazo. Na sexta-feira, a Petrobras confirmou que um consórcio liderado pela Engie e CDPQ enviou a melhor proposta pela compra da TAG, com um valor de US$ 8,6 bi por 90% da empresa.

A oferta foi bem avaliada pelo mercado no dia. Somente com a venda da TAG, a Petrobras conseguirá cobrir, de uma só vez, 1/3 da sua meta de venda de ativos, traçada em US$ 26,9 bilhões.

De acordo com o BTG Pactual, em relatório publicado nesta segunda-feira, a meta de desinvestimento da Petrobras até 2020 parece ainda mais realista agora após a oferta de compra da TAG. O plano de desinvestimento da estatal, anunciado em dezembro, inclui uma meta de alavancagem de 1,5 vez até o fim de 2020, ante 2,3 vezes no fim do ano passado. "Nós acreditamos que se a Petrobras consegue vender o seu maior ativo, a meta poderia ser alcançada com mais de um ano de antecedência", escreveram os analistas do banco Thiago Duarte e Petro Soares.

Eles apontaram que a venda da fatia da TAG representa uma desalavancagem de 0,2 vez, o que levaria a petroleira para 1,7 vez em 2019, conforme projeção atual do banco - isso se nenhum outro ativo for vendido. A casa manteve em compra as indicações para a Petrobras, com preço alvo em 12 meses de R$ 39/ação PN - com potencial de ganho de 36% na comparação com o último fechamento, na sexta-feira.

Na mesma direção, os analistas do Itaú BBA André Hachem e Leonardo Marcondes destacaram que, mesmo diante do vazamento antecipado das negociações na imprensa, o mercado deve reagir de forma favorável ao acordo, já que ele destaca o compromisso da diretoria da estatal no seu programa de venda de ativos.

"A Petrobras pode acelerar seu programa de desinvestimento ao se comprometer com a venda de ativos", escreveram. Segundo os analistas do BBA, as vendas podem desbloquear valor na medida em que elas acontecem em ativos que são melhores avaliados em uma base independente, ou seja, fora da Petrobras - como foi o caso da TAG.

A casa manteve em R$ 32 por ação a indicação para os papéis PN da estatal - potencial de alta de 11% ante o último fechamento. Segundo os analistas, tal valor não incorpora as projeções para um acordo envolvendo a cessão onerosa ou a venda de novos ativos.

A desalavancagem da estatal também ganhou destaque em relatório do Credit Suisse, que nesta segunda-feira elevou a Petrobras de neutro para outperform e atualizou o preço alvo das ADRs da empresa de US$ 15 para US$ 21 por papel. No documento, o analista Regis Cardoso acrescentou que a alteração reflete também a revisão no preço do óleo brent e menor custo de capital esperado.

Tudo o que sabemos sobre:
PetrobrásTagBtg Pactual

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.