Petrobrás pode afetar nota do Brasil, diz S&P

O inferno astral da Petrobrás começou a entrar nos cenários macroeconômicos do mercado financeiro. Após os escândalos de corrupção levarem ao adiamento da divulgação dos resultados financeiros do terceiro trimestre, ameaçando a relação com credores e fazendo as ações derreterem na bolsa de valores ontem, a agência de classificação de risco Standard & Poor's (S&P) sinalizou que a saúde da estatal entrou no radar de sua avaliação sobre a nota do Brasil.

DANIELA AMORIM, VINICIUS NEDER, O Estado de S.Paulo

16 Dezembro 2014 | 02h01

A principal preocupação em relação à Petrobrás está ligada aos investimentos e, portanto, com os efeitos da crise da estatal sobre o crescimento econômico. "Uma das coisas que a gente precisa ver é como a situação da Petrobrás hoje afeta o nível de investimentos planejado pela empresa", afirmou o diretor sênior de risco soberano da S&P, Sebastian Briozzo, em palestra no seminário Reavaliação do Risco Brasil, promovido ontem, no Rio de Janeiro, pela Fundação Getúlio Vargas (FGV).

A chefe da S&P para o Brasil e América do Sul, Regina Nunes, destacou que a Petrobrás tem sua nota final de risco (rating, no jargão do mercado financeiro) atrelada à nota soberana do Brasil. Isso é prática comum na avaliação de risco de empresas estatais de diversos países, sobretudo no setor de óleo e gás.

Nesses casos, o rating final da empresa é composto por uma nota individual dela e a nota do País. A lógica é que, em última instância, o governo controlador da estatal garante suas dívidas e assume o risco de crédito. Segundo Regina, no longo prazo, melhorar a gestão para enfrentar casos de corrupção poderá ser bom para a Petrobrás.

"Essa discussão sobre corrupção, que ela não pode mais acontecer, de que é preciso de regras, só vai trazer um Brasil melhor", disse Regina.

Segundo Briozzo, o risco relacionado à crise na Petrobrás está concentrado na maneira como as dificuldades da estatal afetam seus investimentos. Sexta-feira, ao divulgar alguns dados econômicos em vez do balanço financeiro completo, a estatal informou que aprovou medidas para preservar o caixa, incluindo um freio nos investimentos.

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