Petrobrás pode captar até US$ 19 bilhões

Petrobrás pode captar até US$ 19 bilhões

Diretoria muda orientação da gestão anterior, que havia limitado o financiamento a R$ 6 bi, por causa das condições adversas de mercado

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

03 de março de 2015 | 23h00

RIO - A Petrobrás foi liberada para buscar financiamento, ainda neste ano, de até US$ 19 bilhões, segundo fonte diretamente envolvida nas negociações. A cifra corresponde a 14% do endividamento da estatal, de US$ 130 bilhões.

A tentativa de captação foi aprovada na última reunião do conselho de administração da empresa. Apesar do aval dos controladores, não há uma definição sobre o modelo da operação, que está sendo desenhado pela nova diretoria financeira, liderada por Ivan Monteiro.

A decisão de ir ao mercado em 2015 atrás de recursos indica uma mudança de rota na direção da companhia. Na gestão da ex-presidente Graça Foster, que deixou a Petrobrás no mês passado, a ordem era passar o ano sem tentar acessar o mercado e viver exclusivamente do dinheiro que possui em caixa, para evitar pagar os juros altos que serão cobrados diante das incertezas impostas à empresa pela Operação Lava Jato, da Polícia Federal. 

O mercado não tem conhecimento do real tamanho do patrimônio da petroleira, depois que vieram à tona denúncias de que muitos projetos foram alvo de corrupção e superfaturados. Além disso, com a queda livre no preço do petróleo, a tendência é de que o crédito às empresas do setor de petróleo e gás fique mais escasso. 

Apesar disso, a equipe do atual presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, tem outra visão: o caixa está muito apertado para dar conta de todos os investimentos que a Petrobrás tem pela frente a curto prazo. Já em 2016, terá que comprar equipamentos caros para avançar na exploração do campo de Libra, no pré-sal, considerado a grande oportunidade de fazer dinheiro a custo baixo, em relação à média dos campos da estatal. Se mantiver o cronograma, a empresa conseguirá começar a produzir e melhorar suas finanças em 2018 ou 2019, um horizonte de curto prazo no setor. 

Enquanto as finanças da Petrobrás estavam nas mãos de Graça Foster, a intenção era recorrer à ajuda de bancos públicos de, no máximo, R$ 6 bilhões. Esse plano foi descartado por Monteiro. A estatal quer enfrentar as adversidades do mercado para ter acesso a financiamentos em pouco tempo. 

“O valor de US$ 19 bilhões é o que está autorizado para captação. Mas não quer dizer que a empresa conseguirá reunir esse dinheiro”, afirmou a fonte.

Peça-chave. A publicação do balanço financeiro de 2014 pela Petrobrás é a peça-chave para que a estatal consiga acessar o mercado de crédito internacional neste ano. Um analista de um grande banco privado que não quis se identificar diz que, mesmo que consiga acessar o mercado, a elevação do endividamento da petroleira comprometerá ainda mais seu nível de alavancagem (relação entre patrimônio e dívida), o que pode motivar novos rebaixamentos por agências de classificação de risco, além da Moody’s, que já cassou o selo de grau de investimento da empresa. 

Sem o aval da agência e com dificuldades de avaliar seu patrimônio, a perspectiva é de que a Petrobrás pague muito mais caro pelo financiamento do que no passado. 

“Há um movimento local de aversão ao risco, que somado a todas as dificuldades da Petrobrás e à queda do preço do petróleo, tornam as condições de financiamento uma incógnita”, diz o economista-chefe da RC Consultores, Thiago Biscuola. 

Para ele, já era esperado que a Petrobrás recorresse ao mercado neste ano. A avaliação se a medida é positiva, diz o economista, está vinculada às condições da operação, que ainda é uma incógnita. 

Tudo o que sabemos sobre:
petrobras

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.