Petrobras pode dispensar parceria com Repsol YPF

Dois anos e meio depois de ter se juntado à Repsol YPF para aprofundar, em conjunto, estudos de desenvolvimento do campo de gás de Mexilhão, na Bacia de Santos, a Petrobras está prestes a dispensar a possível parceira, segundo uma fonte da empresa. O motivo seria a aproximação da entrada do campo em operação, já em 2009."A idéia inicial da parceria era dividir os investimentos, considerados muito altos diante dos riscos oferecidos neste megacampo para a retirada do gás em um volume remunerador. Conforme o tempo vai passando, o risco está diminuindo, porque estamos conhecendo melhor as características do campo e ainda encontrando soluções tecnológicas eficazes para ultrapassar as barreiras que nos eram impostas até então", explicou a fonte, que não quis se identificar, alegando que o acordo assinado entre as empresas prevê confidencialidade.Nenhuma das duas empresas confirmou oficialmente este possível rompimento das negociações, mas uma outra fonte diz que o prazo firmado no acordo para a conclusão das negociações se esgota em janeiro de 2007. "Até lá ainda há esperança", disse a fonte ligada à Repsol.Apesar de ter aberto para a companhia espanhola os dados geológicos que possuía referente a este campo, a Petrobras vem tocando, sozinha, as licitações e contratações de equipamentos para o desenvolvimento de Mexilhão, em paralelo às negociações. Estimativas indicam a necessidade de investimentos totais de US$ 3 bilhões no negócio.AcordoNa época em que havia sido assinado, o acordo já havia despertado polêmica. Alas mais tradicionais de dentro da empresa defenderam que a Petrobras deveria manter sigilo sobre seus estudos nesta nova área de reservas de gás natural, que se mostrava potencialmente promissora. Como detentora de 100% da concessão do campo de Mexilhão, a Petrobras deveria desenvolver as atividades na área, que prometia ser gigante, defendiam membros do setor de Gás e Energia da estatal, contrários à formação da parceria.Por sua vez, a estatal argumentava em favor da parceria como forma de obter recursos para acelerar a entrada em produção do campo para 2008. Esta antecipação, entretanto, não se mostrou possível porque a plataforma para a produção no local não poderia ficar pronta antes de 2009.O aquecimento do setor da indústria de petróleo em todo o mundo inviabilizou o deslocamento da unidade, que está sendo construída em Cingapura, pelo estaleiro Jurong, para o campo de Mexilhão, por não existirem disponíveis no momento no mercado internacional rebocadores de porte para transportar a megaplanta que equivale à altura de um prédio de 25 andares.A iniciativa de buscar parceria para Mexilhão também seguiu uma linha discutida na estatal a partir de 2003, que incluiu, além do campo na Bacia de Santos, áreas no chamado Parque das Baleias, ao norte da Bacia de Campos. Para o campo de Jubarte, por exemplo, a estatal firmou parceria com empresas japonesas.NegociaçõesIndagado sobre o assunto na semana passada em evento no Rio, o diretor de Exploração e Produção da Petrobras, Guilherme Estrella, se esquivou de responder, e disse apenas que "as negociações ainda estavam em curso". Segundo ele, a Petrobras tem vários assuntos de interesse em comum com a Repsol, além de Mexilhão.Num possível acordo entre as duas empresas, explicou, seriam também negociados ativos da empresa espanhola na Argentina. À época da composição da parceria, também interessavam para a Petrobras os ativos da Repsol na Bolívia, fato que perdeu o sentido, depois da nacionalização das reservas de gás natural no país, em maio de 2006. Uma fonte da Repsol admitiu que esta perda de ativos na Bolívia pode ter pesado contra a composição da parceria. "A Petrobras quer contrapartidas e elas se esvaziaram nos últimos meses", revelou.Durante as negociações com a Repsol, segundo uma outra fonte da estatal, o principal impasse esteve diretamente relacionado à fatia que caberia a cada uma das empresas. A Petrobras não abriu mão, segundo a fonte, de ter mais de 60% ou 70% do negócio, enquanto a Repsol queria pelo menos 50%.Também contribuíram para arrastar as negociações, as inúmeras dificuldades encontradas para o desenvolvimento do campo, entre elas, a redução da reserva estimada para o campo no início (420 bilhões de metros cúbicos de gás) e o volume que poderia ser produzido diariamente.A estimativa agora é de que as reservas sejam apenas a metade do previsto e que a planta forneça 10 milhões de metros cúbicos por dia, a partir de 2009, e não mais os 15 milhões ou até 20 milhões imaginados inicialmente.Além da Repsol, tinham interesse no negócio a britânica BG, a americana El Paso e a norueguesa Statoil. As duas últimas, inclusive, chegaram a desenvolver o projeto para a instalação de uma planta de liquefação de gás natural, visando a exportação do produto, mas não chegaram a ser convidadas pela Petrobras para o desenvolvimento da parceria.Fonte de uma destas empresas afirmou à Agência Estado que "qualquer companhia ainda deseja parceria da Petrobras nesta área, independente de qual for a composição acionária", a justificativa dada é que a área é "promissora e onde todos querem atuar", admitiu a fonte.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.