Petrobras pode investir até US$ 1 bilhão na Bolívia, diz Lula

Presidente da estatal afirmou que novos contratos aprovados pelo Congresso boliviano garantem a atratividade

17 de dezembro de 2007 | 17h56

Com a promessa de investimentos de até US$ 1 bilhão, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira, 17, que Brasil e Bolívia iniciam "uma nova fase em suas relações", estremecidas com a nacionalização dos ativos da Petrobras no país, há dois anos e meio. Em cerimônia para a assinatura de nove acordos de cooperação, Lula e o presidente boliviano, Evo Morales, trocaram afagos e se comprometeram a aprofundar a integração entre os dois países. Lula aproveitou ainda para dar um conselho político a Evo: "paciência, paciência, paciência. Certamente o povo boliviano, em sua sabedoria, saberá acertar as coisas". Em seu discurso, o presidente brasileiro defendeu sua atuação após a tomada das unidades da Petrobras, em maio de 2007. "Esses acordos respondem àqueles que pregavam o distanciamento, o congelamento das relações. Esses acordos respondem àqueles que defenderam o enfrentamento. Nós respondemos com a cooperação", afirmou Lula. Na sua opinião, o Brasil tem obrigação de ajudar a Bolívia, para "reduzir as assimetrias na região". "Vejam a União Européia: quantos bilhões de euros não foram gastos para ajudar Espanha, Portugal e Grécia a crescerem?". Os acordos no setor de petróleo foram fechados no último momento, com algumas reviravoltas nas reuniões realizadas durante o final de semana. Depois de rejeitar a proposta brasileira, os bolivianos voltaram atrás, em reunião liderada por Lula. Estava em jogo o destino do gás que será produzido em novos projetos da Petrobras. A estatal conseguiu incluir uma cláusula que lhe garante o direito de vender a maior parte da produção ao exterior, a preços mais atrativos, enquanto os bolivianos queriam priorizar o mercado interno, onde os preços são subsidiados. Embora o volume de recursos anunciados gire entre US$ 750 milhões e US$ 1 bilhão, a Petrobras vai investir, em um primeiro momento, pouco menos de US$ 300 milhões: US$ 260 milhões na expansão dos campos de San Alberto e San Antonio e outros US$ 36 milhões na perfuração de um poço exploratório no bloco de Ingre. O restante dos recursos prometidos, porém, depende dos resultados da atividade exploratória, afirmou o presidente da companhia, José Sérgio Gabrielli. Projetos Petrobras e a estatal local YPFB vão se unir ainda na busca por petróleo em três blocos exploratórios pertencentes aos bolivianos, com a possibilidade de criação de uma empresa conjunta para desenvolver os projetos. Em tom mais ameno do que o adotado desde que assumiu, o presidente da Bolívia, Evo Morales, disse que nunca pensou em expulsar as companhias brasileiras do país. "Nós precisamos de vocês", afirmou, dirigindo-se a Gabrielli. "Mas queremos sócios, não patrões", repetiu. O presidente boliviano frisou que vai garantir a rentabilidade de novos investimentos no país. "Sabemos que qualquer investimento tem que ser retorno. Não só retorno, tem que ter direito ao lucro. Nós vamos garantir e respeitar que qualquer empresa que queira atuar aqui." Em entrevista depois da cerimônia, Gabrielli afirmou que "não há ressentimentos". "Ressentimento é inerente a relações pessoais, não profissionais", completou o executivo. Situação política A Bolívia está hoje dividia entre os departamentos (Estados) do Oriente, que querem maior autonomia com relação ao governo central, e o altiplano, que apóia Morales. Neste fim-de-semana, departamentos controlados pela oposição, como Santa Cruz e Tarija, decretaram estatutos autônomos, em resposta à entrega do texto da nova Assembléia Constituinte, que não tem apoio dos opositores, para avaliação do Congresso. Morales afirmou ser um privilégio ouvir conselhos de Lula, a quem considera um "irmão mais velho". Como retribuição, fez um apelo para organizações ambientais bolivianas para que não prejudiquem o projeto de construções de usinas hidrelétricas no Rio Madeira. "É importante pensar no meio ambiente, mas também é importante pensar nas demandas dos nossos irmãos", disse. "Sem energia, não há desenvolvimento."  No domingo, a polícia boliviana reprimiu um grupo de ativistas que se manifestava contra as usinas do Madeira em frente ao Palácio Quemado, sede do governo boliviano, pouco antes da chegada de Lula. De acordo com a imprensa local, cinco pessoas foram presas.

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