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Petrobrás pode ter de emitir ações para reduzir endividamento, afirma Morgan Stanley

Em um cenário de crescimento reduzido da produção, banco avalia que a oferta de ações é a única medida definitiva capaz de melhorar a estrutura de capital da petroleira estatal

Altamiro Silva Junior, O Estado de S. Paulo

23 de abril de 2015 | 18h19

NOVA YORK - O menor ritmo de crescimento da produção da Petrobrás pode tornar ainda mais complicado a redução dos níveis de alavancagem da empresa brasileira. Nesse cenário, uma oferta de ações seria a única medida definitiva capaz de melhorar a estrutura de capital da petroleira, avalia o banco Morgan Stanley em um relatório a investidores comentando o balanço auditado da Petrobrás.

O banco destaca que a Petrobrás reiterou a projeção de crescimento da produção de 4,5% este ano, ao mesmo tempo em que anunciou a expectativa de expansão de 2,8% em 2016, nível considerado fraco pelo banco. Com gastos ("capex") totalizando US$ 54 bilhões em dois anos, a expectativa do mercado para a expansão da produção do ano que vem pode estar em um intervalo maior, de 7% a 9%, ressalta o analista do banco, Bruno Montanari no relatório.

"O menor crescimento da produção torna mais difícil para a Petrobrás conseguir um processo de desalavancagem orgânica", ressalta o analista. "Continuamos a pensar que a inclusão de uma oferta de ações nos planos da empresa é a única medida definitiva para resolver a estrutura de capital."


Em um relatório anterior sobre a empresa, considerando as opções para melhorar a alavancagem da Petrobrás, o Morgan Stanley fala da possibilidade de uma oferta de ações bilionária. Uma emissão da ordem de US$ 30 bilhões a US$ 40 bilhões faria os indicadores de dívida da empresa convergirem para níveis mais confortáveis e compatíveis com seus pares internacionais. A Petrobrás é a mais endividada entre as maiores petroleiras do mundo.

Entre outras opções para reduzir a alavancagem, além da oferta de ações, o Morgan ressalta o aporte do governo federal, a renegociação com credores, a intensificação da venda de ativos e o aumento dos preços dos combustíveis.

Ainda sobre o balanço auditado, o analista do Morgan ressalta que a decisão da empresa de suspender o pagamento de dividendos é positiva, na medida em que ajuda a preservar o caixa da Petrobrás, afirma o documento. O banco manteve a recomendação para as ações da empresa em "equal-weight", o equivalente a desempenho em linha com a média do mercado.

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