Petrobras pode ter dificuldade no abastecimento de GNL

A Petrobras terá dificuldades para contratar o gás para abastecer as suas plantas de regaseificação e atender ao mercado brasileiro com o gás natural liquefeito (GNL) para as usinas térmicas. É o que aponta o estudo do Instituto Acende Brasil divulgado hoje. "O problema é que o setor elétrico está totalmente dependente da efetiva disponibilidade da energia elétrica a ser gerada pelas térmicas abastecidas pelo GNL", disse Mário Veiga, diretor da PSR Consultoria, empresa responsável pelo estudo do Acende Brasil. Segundo ele, sem as térmicas da Petrobras, o risco de faltar energia no Brasil "cresce muito" para os próximos anos.O presidente do Instituto Brasil, Cláudio Sales, elogiou os esforços da Petrobras na busca de solução para o problema, mas lembrou que as dificuldades de oferta do gás não ocorrem apenas no Brasil. "A Argentina e a Bolívia também estão com grandes dificuldades de elevar a produção", lembrou. Sales acentuou que um eventual atraso no início das operações das plantas de GNL pode complicar ainda mais o quadro de oferta nos próximos anos. Ele considera que a estatal "deu um grande passo" quando comprou um navio especializado na regaseificação, mas ainda não resolveu definitivamente o problema, já que não garantiu a disponibilidade do combustível. "O navio é um grande passo, mas ainda não é suficiente. E sem as térmicas, abastecidas com GNL, teremos muitos problemas na oferta de energia elétrica nos próximos anos", complementou. Demanda forteDe acordo com as projeções sobre o mercado de energia elétrica no País nos próximos anos, o mercado mundial de GNL está muito aquecido, com a demanda superando largamente a oferta. Para este ano, por exemplo, a demanda de GNL soma o equivalente a 517 milhões de metros cúbicos por dia, enquanto a oferta é de 294 milhões de metros cúbicos diários. A produção brasileira está abaixo de 50 milhões de metros cúbicos/dia.Esse quadro será ainda mais apertado nos próximos anos, com a demanda subindo para 1,222 bilhão de metros cúbicos em 2008 e uma oferta de 327 milhões. Para 2009, a estimativa é de uma procura de 1,693 bilhão de metros cúbicos diários e uma oferta de 403 milhões de metros cúbicos, o que representa apenas 24% da demanda. O estudo do Acende Brasil considera a disponibilidade apenas nas regiões da bacia do Atlântico e do Mediterrâneo, onde o País poderia encontrar o combustível a preços mais competitivos.

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