Wilton Jr/Estadão
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Petrobrás pode usar dutos para gerar receita extra

Para o presidente da estatal, Aldemir Bendine, divulgação do balanço é retomada de credibilidade; plano de negócios para reduzir endividamento da estatal será apresentado em 40 dias

Lorenna Rodrigues, Eduardo Rodrigues e João Villaverde, O Estado de S. Paulo

28 de abril de 2015 | 11h22

Atualizada às 22h

BRASÍLIA - O presidente da Petrobrás, Aldemir Bendine, disse que a divulgação do balanço da companhia permite retomar a credibilidade da empresa e partir para a revisão do planejamento estratégico e reorganização administrativa da estatal. 

Bendine afirmou que o principal desafio da maior empresa do Brasil hoje é reduzir o seu elevado endividamento. Ele informou que a estatal vai divulgar um novo plano de negócios dentro de 40 dias. “Ainda vamos conviver por um período com um patamar de endividamento que não é salutar e a solução para isso não se dará neste e nem no próximo ano”, disse, em audiência pública no Senado Federal.

Reduzir o endividamento será uma das principais metas da companhia, a partir de agora. No balanço de 2014, divulgado na semana passada, a Petrobrás registrou que o total de endividamento levará 4,7 anos para ser pago com o Ebitda (nome técnico que define o lucro de uma companhia antes do pagamento de juros e impostos e também sem descontos de depreciação e amortizações). “Queremos reduzir esse patamar a algo entre 2,5 e 3 anos”, disse o presidente da estatal.

Para tanto, Bendine afirmou que a companhia vai buscar “com todos os esforços possíveis” formas de elevar as receitas. Um dos caminhos é o aumento das chamadas “receitas extraordinárias”, isto é, o dinheiro que entra no caixa da empresa por vias alternativas à principal, que no caso da Petrobrás é a exploração, produção e refino de petróleo.

“Há uma série de possibilidades de gerar rentabilidade extraordinária, como a malha de dutos”, disse Bendine, indicando um dos caminhos estudados. Ele citou a malha de 14 mil quilômetros de dutos que a Petrobrás têm na área de óleo e gás no Brasil. “Temos essa malha enorme. Podemos, junto com a Transpetro, estudar para vender uma parte ou fazer parcerias com empresas de telecomunicações para que elas transitem nesses dutos, que já estão prontos e são modernos, para que essas empresas passem fios de fibra ótica neles”, disse Bendine, que completou: “Não havia uma visão de sinergia na companhia e com o valor agregado delas podemos abrir imensas possibilidades de aumento da rentabilidade e redução das dívidas”.

Atrás de recursos para reduzir suas dívidas, a Petrobrás, no entanto, não buscará dinheiro do Tesouro Nacional. Bendine afirmou que estão descartadas hipóteses como capitalizações da companhia pelo Tesouro, como a que ocorreu em 2010. A informação encontra eco na política de ajuste fiscal conduzida pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, que tem fechado a torneira do Tesouro que irrigava bancos públicos e estatais nos últimos anos.

Bendine afirmou também que o “boom” de compra de automóveis pelos brasileiros atrasou a consolidação da autossuficiência em petróleo que o País buscava. “O Brasil caminhava para ser autossuficiente em petróleo, mas o boom de automóveis impediu esse plano”, disse ele, que também afirmou que o preço da gasolina no País é “justo” e “competitivo” quando comparado com o combustível vendido na Europa.

Lava Jato. Bendine disse aos senadores que os funcionários da Petrobrás estão “envergonhados” com as revelações feitas pelo Ministério Público Federal no âmbito da Operação Lava Jato, que desbaratou esquema de cartel de 27 empresas que pagavam propina a diretores da petrolífera em troca de contratos. “Foram atos isolados de algumas pessoas, mas a Petrobrás vai fazer todo o possível para ter de volta o dinheiro que foi desviado”, disse Bendine. A empresa estimou em R$ 6,2 bilhões as baixas no seu patrimônio de 2014, decorrentes do esquema revelado pela Lava Jato.

“A sociedade brasileira precisa entender que a Petrobrás precisa diminuir um pouco a ansiedade em relação a seu futuro. Não vamos trazer respostas a cada dia e a cada mês. Precisamos de um voto de confiança para que a nova diretoria possa executar o trabalho de redução das dívidas e aumento dos investimentos”, disse Bendine, em recado direto ao mercado financeiro.

Refinarias e petróleo. Bendine disse que o Plano de Investimentos da companhia vai privilegiar exploração e produção de petróleo e gás, e menos a construção de refinarias e fábricas de fertilizantes. "Cerca de 80% dos valores a serem investidos serão direcionados à nossa principal atividade que é a exploração e produção", disse. Na semana passada, em entrevista à coluna de Celso Ming, Bendine afirmou que não pretende voltar ao passado recente da estatal em que houve descolamento de preços dos combustíveis do mercado interno e externo.

O presidente da Petrobrás afirmou que a companhia trabalha com um preço médio de US$ 70 pelo barril de petróleo para o ano de 2016, o que é considerado por ele como "muito razoável", uma vez que o barril fechou o ano de 2014 cotado abaixo de US$ 50. "Temos uma perspectiva razoável de melhoria de preço do barril de petróleo", disse.
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