Petrobrás pode virar alvo do Fisco

Petrobrás pode virar alvo do Fisco

A situação tem origem na mesma operação Lava Jato que obrigou a Petrobrás a adiar a divulgação do balanço referente ao terceiro trimestre de 2014 e fez com que a presidente Maria das Graças Foster anunciasse a realização de um amplo ajuste contábil nos resultados da estatal. Na prática, essa "limpeza" deve revelar ao mercado o efetivo valor dos ativos imobilizados da estatal. E, ao mesmo tempo, mostrar que a base de cálculos do Imposto de Renda (IR) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) estava errada.

O Estado de S.Paulo

01 Dezembro 2014 | 02h03

Os casos de corrupção envolvendo a Petrobrás podem criar um novo problema para a estatal - desta vez, com a Receita Federal. Tudo porque a base de cálculo do lucro, e consequentemente dos impostos pagos, teria sido menor do que o valor efetivamente recolhido pela Petrobrás. A diferença, acumulada nos últimos cinco anos, poderia então ser questionada pela Receita.

A origem do erro, possivelmente desconhecido pela Petrobrás até então, estaria no valor do investimento feito pela estatal na compra de ativo imobilizado, sempre que a operação envolver algum esquema ilícito.

Em uma situação hipotética, se a Petrobrás adquire um equipamento por R$ 1 bilhão, com o prazo de depreciação de dez anos, irá, a cada ano, contabilizar R$ 100 milhões sob a forma de despesas, valor que reduz o lucro do período e, consequentemente, a base de cálculo do IR e da CSLL. Mas se o mesmo equipamento tiver sido alvo de sobrepreço de R$ 100 milhões, a diferença, que seria contabilizada pela Petrobrás na linha do ativo, também teria efeito direto nas despesas dedutíveis. E, portanto, na base de cálculo do lucro.

Quando o cliente 'entra para o time' de inovação da empresa  

Conhecida principalmente pelas lavadoras de alta pressão - aquelas de jato, usadas para limpar quintais -, a empresa alemã Kärcher está no Brasil desde a década de 1970, quando o filho do fundador trouxe a marca para o País, implantando aqui a primeira fábrica da companhia fora da Alemanha. Hoje, o grupo está em 60 países e faturou, em 2013, 2,1 bilhões. Comandada no Brasil pelo executivo Abilio Hervê Cepêra, a empresa aposta no reúso de água para lançar um novo produto e enfrentar a crise hídrica vivida pelo Sudeste brasileiro.

Qual foi impacto da falta d'água na operação da Kärcher?

Já em julho, as nossas vendas de máquinas de lavar de alta pressão - que respondem por 55% do faturamento da empresa - caíram cerca de 20% em São Paulo. Diante disso, começamos a buscar alternativas. Uma delas foi reforçar a divulgação de outros produtos, como as limpadoras a vapor, que utilizam ainda menos água. Mas a sugestão de uma de nossas funcionárias, reforçada pela ação de uma consumidora que teve a mesma ideia, nos fez investir em um novo produto.

Qual foi a ação da consumidora?

Essa cliente colocou nas redes sociais um vídeo caseiro em que ela acopla um balde a uma máquina de lavar de alta pressão (que por acaso era da nossa marca) para utilizar a água descartada da máquina de lavar para fazer a limpeza do quintal. Esse vídeo virou um viral, com mais de 2 milhões de visualizações, e foi a motivação para criarmos o novo produto.

Como funciona?

Desenvolvemos para um dos modelos das nossas máquinas um recipiente para tornar possível esse reúso da água. É uma ideia simples e muito oportuna, que vai chegar ao mercado ainda neste mês.

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