Petrobras precisa agir como sócia, diz jornal boliviano

A Bolívia deve analisar muito bem uma proposta do Brasil de parceria no setor energético, defende editorial do jornal boliviano La Razón. "O governo nacional deverá tomar decisões muito difíceis, pois o maior vizinho do país está oferecendo uma relação de sociedade", afirma o jornal, referindo-se a uma oferta de sociedade da Petrobras com a estatal boliviana YPFB (Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos). Para o La Razón, a Bolívia terá de colocar os seus interesses nacionais em primeiro lugar e "ver se isso prejudica ou não o propósito do Executivo de obter melhores preços pelo gás que a Bolívia exporta ao Brasil". "Que seja uma sociedade, mas que a Bolívia, como disse o presidente Evo Morales, deixe de ter as petroleiras como patrões e as tenha, em contrapartida, como sócias", diz o editorial. O diário boliviano também destaca a decisão do governo de suspender a venda de gás à Argentina quatro dias atrás para dar prioridade ao abastecimento ao Brasil, "seu principal sócio energético". A interrupção foi causada pela ruptura nos dutos que distribuem o gás, causada por chuvas fortes no país. Até terça-feira, a Argentina não estava recebendo gás da Bolívia e o Brasil estava recebendo 3 milhões de metros cúbicos a menos do que o mínimo estabelecido por contrato (24 milhões de metros cúbicos). "Há de se recordar que o nosso compromisso com a Argentina é temporário e, ao contrário, com o Brasil é um acordo de 20 anos. São convênios diferentes e por isso nós tomamos a liberdade de cortar com a Argentina", justificou o presidente da YPFB, Jorge Alvarado, segundo o jornal.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.