Paulo Vitor/Agência Estado
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Petrobrás vai investir menos e vender mais ativos até 2024

Companhia anunciou investimento de US$ 75,7 bi nos próximos cinco anos, com foco no pré-sal

Fernanda Nunes e Mariana Durão, O Estado de S.Paulo

28 de novembro de 2019 | 10h40

RIO - O primeiro plano estratégico da Petrobrás no governo Bolsonaro, relativo ao período de 2020 a 2024, trouxe investimento 10% menor do que o anterior - de US$ 84,1 bilhões passou para US$ 75,7 bilhões - e também reforçou o foco da empresa no pré-sal. Esse valor se aproxima do patamar de 2018 a 2022 (US$ 74,5 bilhões), divulgado há dois anos, quando a petroleira começava a sair da crise.

O mercado financeiro recebeu bem o número, por demonstrar um comprometimento da companhia com a disciplina de capital.

O plano, divulgado na manhã desta quinta-feira, 28, revela o caminho que a Petrobrás vai seguir na área financeira daqui para frente. A previsão é que os novos projetos sejam bancados com a venda de ativos - até US$ 30 bilhões em cinco anos -, sem que seja necessário contrair mais dívida. Até então, a ordem era se desfazer de US$ 26,9 bilhões.

Não foram informados detalhes das privatizações. Mas era conhecida a intenção de passar oito refinarias à iniciativa privada a partir do ano que vem, além de campos terrestres e marítimos.

Em 2019, a Petrobrás já se desfez de ativos de porte. A TAG, operadora do gasoduto que interliga as regiões Sudeste e Nordeste do País, ficou com a francesa Engie; e o controle da BR Distribuidora foi diluído no mercado. Na semana passada, a Petrobrás assinou contrato com a Copagaz e com a Nacional Gás Butano para a venda da totalidade da distribuidora Liquigás. O valor total da operação é de R$ 3,7 bilhões, conforme antecipou o Estado.

Sem contratar novos créditos e reduzindo custos, a companhia espera baixar a dívida bruta de US$ 90 bilhões, do fim de setembro, para US$ 60 bilhões já no ano que vem. Para isso, aposta também numa “expressiva geração operacional de caixa”.

Para Luís Sales, analista da Guide Investimentos, o plano revela o foco da gestão na maximização de valor para os acionistas e tem como destaques a redução de dívida e a venda de ativos. A interpretação é de que a empresa deu uma sinalização benéfica de que vai deixar para trás o que o mercado classifica de “destruição de valor”, ao perseguir um retorno operacional superior ao seu custo de capital.

Investimentos

Além de informar investimentos mais conservadores do que o previsto, o plano trouxe, pela primeira vez, uma agenda de descarbonização, com menos emissões e ganhos no processo produtivo. Mas postergou novamente a decisão de ingressar na geração de energia solar e eólica, na contramão do que estão fazendo as gigantes do petróleo.

Roberto Castello Branco, presidente da companhia, já havia antecipado a intenção de focar os esforços na exploração e produção de petróleo e gás, sobretudo nas bacias de Campos e Santos, em detrimento das demais áreas de negócio. O segmento vai ficar com quase a totalidade dos investimentos, 85% da previsão para os próximos cinco anos, o equivalente a US$ 64,3 bilhões. No plano anterior, a participação era de 81%. Não foram informados dessa vez os orçamentos dos demais segmentos de atuação.

Com a entrada em operação de 13 novas plataformas, a produção de petróleo e gás natural deve crescer em 200 mil barris de óleo equivalente por dia (boe/d) a cada ano, passando de 2,7 milhões de boe/d em 2020 para 3,5 milhões de boe/d em 2024.

Esses dados são preliminares, um resumo do que o presidente da petroleira, Roberto Castello Branco, vai apresentar a investidores no dia 4 de dezembro, em Nova York, nos Estados Unidos.

No Brasil, os analistas aguardavam, principalmente, o detalhamento do cronograma e do investimento no megacampo de Búzios, adquirido neste mês no leilão de áreas excedentes da cessão onerosa. Mas, contrariando as expectativas, o plano não trouxe qualquer referência a projetos específicos.

Búzios é a área mais promissora do portfólio da Petrobras, mas não foi a única adquirida neste ano. A empresa teve participação relevante em dois leilões da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) - 6ª Rodada de Partilha e de excedentes da cessão onerosa. Nos dois gastou R$ 67,18 bilhões de bônus de assinatura. Parte desse dinheiro vai ser pago com o crédito de R$ 34,1 bilhões que a empresa mantém com a União. 

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