Reuters
Reuters

Petrobrás prevê publicar o balanço auditado em 22 de abril

Divulgação do balanço está com cinco meses de atraso; publicação do resultado ajudará estatal a retomar a credibilidade dos investidores e pode evitar rebaixamentos por agências de classificação de risco

Fernanda Nunes, Agência Estado

13 de abril de 2015 | 20h20

Atualizado às 22h40

Com cinco meses de atraso, a Petrobrás deve divulgar o seu balanço financeiro de 2014 auditado pela PricewaterhouseCoopers (PwC) na próxima quarta-feira, dia 22. No mesmo dia, os números serão analisados pelo conselho de administração da empresa. "A companhia espera divulgar essas demonstrações contábeis ao mercado após a decisão do conselho", informou a estatal, em fato relevante enviado ao mercado.

A reunião do conselho, na verdade, estava marcada para acontecer na sexta-feira, dia 17, mas foi adiada por mais quatro dias exatamente para que o resultado financeiro auditado do ano passado pudesse ser incluído na pauta das discussões. Ao divulgar o balanço, a Petrobrás conseguirá evitar o pagamento antecipado de dívidas. Por contrato, a empresa tem até o dia 30 deste mês para evitar que credores exijam a liquidação de financiamentos por falta de balanço auditado.

Além disso, a publicação do resultado ajudará a companhia a retomar a credibilidade dos investidores e pode evitar que as agências de classificação de risco Standard&Poor's (S&P) e Fitch cassem o selo de boa pagadora da petroleira, como já fez a Moody's. Com o selo de grau de investimento, a Petrobrás tem acesso a grandes grupos financiadores internacionais, que podem ajudá-la com os recursos necessários para investir nos próximos anos, inclusive no pré-sal.


A aprovação do balanço de 2014 na quarta-feira da próxima semana, no entanto, ainda depende da boa vontade dos conselheiros. A maioria deles - cinco de um total de oito - representa a União, acionista majoritária da empresa, e é capaz de aprovar a publicação do balanço independentemente da vontade dos demais conselheiros. 

No entanto, os posicionamentos dos representantes dos investidores em ações minoritárias do tipo ordinária e preferencial - Mauro Cunha e João Monforte -, assim como o do representante dos empregados, Silvio Sinedino, podem ter influência sobre a aceitação dos números pelo mercado e, por consequência, na reconstrução da credibilidade da Petrobrás.

Durante toda esta segunda-feira, os conselheiros da estatal aguardavam para receber a pauta do encontro. O documento com informações prévias do que será discutido, tradicionalmente, é entregue ao colegiado com, pelo menos, uma semana de antecedência. Sem acesso ao documento, começou entre eles o suspense sobre um possível adiamento da reunião para que o balanço pudesse ser divulgado.

Se divulgar na próxima quarta-feira, a Petrobrás conseguirá evitar a antecipação de dívidas, mas ainda assim terá contrariado as regras previstas pela autarquia reguladora do mercado de capitais no Brasil, a Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os números do terceiro trimestre deveriam ter saído em novembro e os do fechamento do ano, até o fim de março deste ano.

Mais conteúdo sobre:
petrobrás

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.