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Petrobras procura fornecedores para programa de investimentos

A Petrobras deu início ontem ao processo de qualificação dos fornecedores que deverão participar do megaprograma de investimentos da empresa até 2006, com previsão de US$ 31,2 bilhões. Segundo Fabiano Gonçalves Martins, coordenador do Programa de Qualidade de Materiais e Serviços da estatal, o objetivo é identificar as empresas interessadas e que atendam aos requisitos de qualidade da empresa. De acordo com ele, a Petrobras não vai adotar práticas protecionistas a favor de empresas brasileiras, mas está disposta a desenvolver projetos em parceria que permitam preencher lacunas entre os fornecedores. "O parque industrial brasileiro tem condições de atender à maioria das necessidades da Petrobras, mas as empresas precisam retomar os investimentos em qualidade e conformidade aos processos", observou o executivo. Martins lembrou que nos anos 90 houve um certo "hiato", com muitas empresas do setor reduzindo os investimentos. Hoje, segundo ele, há alguns produtos e serviços que são exclusividade de dois ou três fornecedores mundiais da indústria do petróleo e não teria sentido a indústria nacional entrar nessa disputa. "Esses casos, porém, são exceção. Na maior parte dos projetos a indústria nacional está qualificada", complementou.No lançamento do programa, realizado hoje e coordenado pelo diretor da Área de Serviços da Petrobras, Irani Carlos Varella, estiveram presentes mais de 400 representantes da indústria nacional. A empresa definiu o programa de trabalho que irá até agosto. Nos próximos três meses, a estatal vai identificar as suas necessidades básicas e mapear os fornecedores nacionais, com ênfase nos 70 produtos mais estratégicos, entre os quais estão os compressores, vasos de pressão, "árvore de natal molhada" e outros do setor petrolífero. Martins observou, porém, que o programa não se atém apenas à área de exploração e produção do óleo. Também os segmentos de refino, transporte e gás e energia participam do mesmo processo. Para atender a esses segmentos, as empresas nacionais terão de observar os requisitos de qualificação dos fornecedores da estatal. O executivo garante que as exigências não são absurdas, mas que os fornecedores têm de estar à altura de um mercado globalizado. "Nos anos 70, a Petrobras até praticou algum grau de apadrinhamento à indústria nacional. Hoje isso é impossível, pois a empresa não é mais monopolista e concorre com as maiores multinacionais do setor", complementou. Segundo ele, a Petrobras definiu que quer trabalhar com unidades de alta performance e, por isso, não pode ter surpresas no relacionamento com os fornecedores, seja no que diz respeito aos prazos de entrega ou à qualidade dos materiais. "Nós temos a obrigação de comprar pelo melhor preço. Mas o mais importante é ter a segurança de que conseguiremos atingir as nossas metas, o que implica em bom relacionamento com os fornecedores", complementou.

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