Wilton Júnior/Estadão
Wilton Júnior/Estadão

Ações

Empresas de Eike disparam na bolsa após fim de recuperação judicial da OSX

Petrobrás produz mais combustíveis e começa a sair da crise causada pela pandemia

De julho a setembro, a petroleira extraiu 2,9 milhões de barris de óleo de petróleo, gás natural e líquido de gás natural; fator de utilização das refinarias subiu para 80%, após atingir 55% em abril

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

21 de outubro de 2020 | 00h18

RIO - A Petrobrás começa a dar sinais de recuperação e de que, em suas unidades operacionais, a crise provocada pela pandemia de covid-19 aos poucos está sendo superada. Para isso, tem se valido do crescimento da demanda interna por combustíveis, principalmente de gasolina e óleo diesel, e da estratégia de atender o mercado brasileiro cada vez mais com produtos próprios, de suas refinarias.

"A retomada da demanda no mercado doméstico resultou em recuperação das vendas e da produção de derivados. Consequentemente, o fator de utilização (FUT) das refinarias passou a flutuar em torno de 80% no terceiro trimestre de 2020, depois de atingir 55% em abril", afirmou a empresa, em seu relatório de produção e vendas do terceiro trimestre deste ano, divulgado na noite desta terça-feira.

De julho a setembro, a petrolífera estatal extraiu 2,9 milhões de barris de óleo equivalente (boe/d) de petróleo, gás natural e líquido de gás natural (LGN) no Brasil e transformou a maior parte desse óleo em derivados, como combustíveis automotivos.

Das suas refinarias saíram 1,94 milhão de barris por dia (bpd) de derivados no período, 8,3% mais do que no quarto trimestre do ano passado, quando a crise sanitária ainda não surtia efeitos sobre a economia brasileira. Também as vendas de derivados, de 1,76 milhão de bpd, subiram 1,7% em relação ao mesmo período pré-pandemia.

Já o volume de petróleo extraído no terceiro trimestre deste ano, de 2,9 milhões de boe/d, caiu 2,4% em relação ao quarto trimestre do ano passado. Isso demonstra que, mais do que o óleo do pré-sal, o que está ajudando a Petrobrás a ultrapassar a crise tem sido a produção de derivados em suas refinarias.

"A Petrobrás adotou duas estratégias simultâneas que tiveram relativo sucesso no trimestre: o deslocamento de importadores, que elevou sua participação de mercado interno, e o aproveitamento de oportunidades na exportação de bunker. Isso mostra como os ativos do refino geram flexibilidade estratégica para a Petrobrás. A companhia conseguiu optar por diferentes soluções num período de tamanha instabilidade", afirmou Rodrigo Leão, coordenador técnico do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Ao processar mais petróleo nacional em suas refinarias, a Petrobrás deslocou espaço antes ocupado por importadores. Sua participação no mercado interno chegou a 93,3% no terceiro trimestre deste ano, marca que não era alcançada, pelo menos, nos últimos dois anos, segundo cálculo do Ineep. Já a utilização da capacidade das refinarias chegou a 83%, o maior percentual desde o primeiro trimestre de 2016 (85%).

A petrolífera também tem aproveitado a nova legislação internacional que exige o consumo de combustíveis marítimos mais limpos para exportar seu óleo bunker de baixo teor de enxofre, produzido a partir do óleo do pré-sal. A exportação de óleo combustível no terceiro trimestre foi a melhor já registrada, pelo menos, desde 2018, de acordo com o instituto. No terceiro trimestre, foram vendidos no exterior 204 mil barris por dia.

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) revelam que a Ásia e a Europa foram os principais destinos do óleo brasileiro. De janeiro a setembro de 2020, as vendas de óleos combustíveis para Cingapura cresceram 52,2% em relação ao mesmo período do ano anterior, e para a Holanda, 143,8%. Os dois países são destino de mais da metade das exportações de óleos combustíveis do Brasil.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.