Petrobras: punição para quebra de confiança é demissão

O presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli, afirmou na segunda-feira, 26, que a punição para o envolvimento em quebra de confiança e quebra do código de ética da empresa seria a demissão por justa causa. Ele disse isso ao comentar o possível envolvimento de um alto funcionário da estatal no vazamento de informações na operação de compra do Grupo Ipiranga.Gabrielli falou ao programa Roda Viva, da TV Cultura, para o qual havia sido convidado há uma semana para falar, entre outros assuntos, sobre os planos da Petrobras no setor petroquímico após a superaquisição.O funcionário da Petrobras, suspeito de ter ganho em torno de R$ 900 mil com o uso dessas informações é apenas um dentre os 26 investidores - pessoas físicas e jurídicas - investigados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM) no caso. A venda da Ipiranga, por US$ 4 bilhões, formalizada no dia 19 de março, foi precedida por uma semana atípica de movimentação com papéis das empresas do grupo, que tinham historicamente negociação inexpressiva na Bolsa de Valores de São Paulo. Em uma semana, as ações ordinárias da Refinaria Ipiranga, por exemplo, giraram R$ 23,990 milhões, mais do que o dobro do registrado nos três meses imediatamente anteriores, de 2 de janeiro a 9 de março: R$ 11,605 milhões. Um fundo já identificado nas investigações, com sede em Delaware, nos Estados Unidos, movimentou R$ 3,3 milhões.Segundo Gabrielli, foi criada uma comissão de sindicância para apurar as denúncias da CVM, que tem prazo de 30 dias para concluir as investigações. ?A comissão foi criada na sexta-feira à noite, e nada mais eu posso falar.? Ele informou, porém, que mais de 50 funcionários da estatal tinham conhecimento da operação e havia um acordo de confidencialidade para evitar vazamento de informações. NegócioSobre a operação de compra, Gabrielli afirmou que ?a possibilidade de expansão no setor petroquímico é bem maior com a parceria feita para a compra da Ipiranga?. ?Temos de aumentar a capacidade das empresas de ampliar a competição no setor petroquímico.? Pelos termos do negócio, a Petrobras assumirá a rede de distribuição da Ipiranga no Norte, Nordeste e Centro-Oeste e terá até cinco anos para uso da marca Ipiranga, período em que será substituída gradualmente pela marca Petrobras Distribuidora.No setor petroquímico, a Braskem passará a deter 60% dos ativos do Grupo Ipiranga no segmento e reforçará sua posição de controle na Copesul. A Petrobras terá a fatia restante de 40%.Em refino, as operações da Ipiranga no Rio Grande do Sul serão controladas, em partes iguais, pela Petrobras, pelo Grupo Ultra e pela Braskem, que se comprometem a dar continuidade às atividades.Sobre os planos da empresa para o setor petroquímica, Gabrielli adiantou: ?Não vamos ser apenas fornecedores de matéria-prima?. América do SulPerguntado sobre a onda de nacionalizações na América do Sul e os problemas enfrentados pela estatal na região, Gabrielli tentou generalizar. ?Temos problemas no mundo todo.? Mas reconheceu que na Bolívia a empresa está esperando o processo de regularização dos contratos, questionados pelo Senado boliviano. ?Estamos dispostos até a ampliar os investimentos no país?, disse, depois de admitir que metade do gás brasileiro vem da Bolívia. ?Não temos alternativas à Bolívia nesse momento e o aumento da produção de gás não conseguirá suprir a necessidade de demanda brasileira nos próximos anos?, afirmou. ?Nossa responsabilidade é o mercado brasileiro.? Para o presidente da Petrobras, há diferenças entre os contratos para exploração do gás e distribuição do gás na Bolívia e os contratos para importação de gás boliviano. Segundo ele, os contratos foram mantidos e continuam sendo observados. ?Estamos respeitando as leis do país.? PlanoGabrielli ressaltou o plano de negócios da Petrobras, que prevê investimentos de US$ 87,7 bilhões até 2011. Mas afirmou que o principal limite da estatal não é financeiro. Segundo ele, os gargalos da Petrobras estão no treinamento de pessoal, que possibilite acompanhar a expansão da empresa, e na gestão de projetos complexos, com a participação cada vez maior da estatal em outros países.Em relação aos projetos da empresa na área de biocombustíveis, Gabrielli procurou tranqüilizar os produtores de álcool. Segundo ele, a Petrobras não pretende competir com o setor privado na produção de etanol. (Kelly Lima, Irany Tereza, Nicola Pamplona e Mônica Ciarelli)

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