Petrobras puxa ações da Eletrobrás

A venda das ações ordinárias - ON, com direito a voto - da Petrobras em poder do governo está provocando a alta das cotações da Eletrobrás, segundo analistas. Para eles, o sucesso da operação com a estatal de petróleo reforça a perspectiva positiva dos investidores com relação à pulverização de Furnas. "A operação mostra que o governo tem mercado para vender muitas ações de uma empresa como Furnas", observou a analista Alexandra Strommer, do Banco Chase Manhattan. Ela lembrou que, pelo modelo de privatização, os acionistas da controladora Eletrobrás devem receber ações da subsidiária Furnas.Mário Etelbaum, do Morgan Stanley, de Nova York acredita que se a transação com a Petrobras não tivesse acontecido, a pulverização de Furnas seria sepultada. Ele afirmou que esse não é o único motivo para a valorização das ações. "Os papéis tinham caído bastante no ano passado", disse. Os papéis PNB - preferenciais, sem direito a voto - da Eletrobrás subiram 7,49% na última sexta-feira. Segundo a Economática, essas ações registram queda de 2,03% nos últimos 30 dias encerrados na sexta-feira. As ações ON tiveram ganho de 5,56% no último dia 11 de agosto. Nos últimos 30 dias, acumulam perda de 4,76%. No período, o Índice da Bolsa de Valores de São Paulo (Ibovespa) registrou ganho de 3,05%.Analistas recomendam compra das ações da EletrobrásO analista Oswaldo Teles, da BBVA Corretora, não acredita que o caso de Petrobras esteja influenciando a cotação da Eletrobrás. Na sua opinião, o setor inteiro está subindo e chegando em um nível em que o mercado deveria ficar mais seletivo. Esses analistas recomendam a compra das ações da Eletrobrás. A análise leva em conta a qualidade de suas controladas, além da pulverização de Furnas e a agilidade de sua privatização. "Os ativos da companhia valem mais que o preço atual das ações", disse Alexandra. Ela ressaltou que a companhia é prejudicada pela falta de transparência com relação a suas controladas. Para Etelbaum, os papéis da Eletrobrás continuarão atrativos após a cisão da Furnas. "A central elétrica é um dos bons ativos, mas ainda existe valor em outras empresas, como a planta de Tucuruí." Nas projeções do Morgan Stanley, o setor de transmissão de energia da Eletrobrás valerá US$ 3 bilhões, caso seja privatizado.Teles, da BBVA, disse que o parque de geração de energia da empresa é atrativo. As novas regras do setor de geração, que entrarão em vigor a partir de 2003, levarão ao aumento de tarifas. O analista fez uma ressalva com relação à facilidade de negociação dos papéis na Bovespa. "A redução da participação no Ibovespa pode levar a uma queda de volume de negócios e de preços." O analista Felipe Mattar, do Deutsche Bank, possui recomendação de manutenção para as ações. Segundo ele, apesar de possuir bons ativos, a Eletrobrás também conta com empresas menos valiosas, como Itaipu e Eletronuclear.

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