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Petrobrás quer adotar ‘modelo Ambev’ de gestão

Ideia é desconsiderar histórico orçamentário e de receitas, redefinindo a cada ano os projetos e os investimentos prioritários

Antonio Pita, Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

12 Setembro 2016 | 22h35

Pedro Parente mira na Ambev para projetar o que será a Petrobrás depois de virada a página da sua maior crise. O modelo de gestão da gigante multinacional de bebidas está na base das metas e planos de ação que a petroleira adotará nos próximos cinco anos. As diretrizes do novo plano de negócios, antecipadas em entrevista ao Estado no domingo, serão discutidas pelo conselho de administração da petroleira na próxima segunda-feira, segundo comunicado da estatal divulgado nesta segunda-feira, 12.

A base da nova gestão, presente já no plano estratégico, será o conceito de orçamento base zero, um modelo adotado no País desde a década de 50. A ideia é desconsiderar o histórico orçamentário e de receitas, para redefinir a cada ano os projetos e investimentos prioritários. O objetivo é buscar melhor eficiência de gastos e evitar orçamentos inflados em projetos desvinculados das prioridades da empresa.

“Metodologia é uma coisa muito importante. A Petrobrás tinha planos estratégico e anual diferentes. Não era uma maneira boa, só por coincidência o plano anual perseguia os objetivos estratégicos. Agora, não tem hipótese de inconsistência”, afirmou Pedro Parente, na entrevista ao Estado.

A gestão será a marca de Parente nos próximos dois anos em que planeja estar à frente da Petrobrás. Para tanto, o executivo trouxe à diretoria executiva o ex-presidente da BG no País Nelson Silva, para quem foi criado o cargo de diretor de Estratégia, Organização e Sistema de Gestão.

Modelo. Assim como Jorge Paulo Lemann nos anos 90, o presidente da estatal aposta na cartilha do guru brasileiro da meritocracia, Vicente Falconi, para desenhar a nova petroleira, saneada em até cinco anos. As bases da estratégia podem ser resumidas em quatro letras: PDCA - iniciais em inglês das palavras planejamento, execução, acompanhamento e padronização.

A fórmula criada por Falconi na década de 80 já foi replicada em 5,9 mil projetos liderados pela sua consultoria em empresas de diferentes segmentos, da mineração ao varejo. O método consiste em estabelecer metas mensais para os empregados - e não para a empresa.

Além das duas metas principais da companhia, financeira e de segurança operacional, cada nível hierárquico terá objetivos específicos. “Vamos ter acompanhamento do cumprimento de metas com reuniões trimestrais nos diversos níveis da companhia chegando até a diretoria executiva”, explicou Parente.

Após a confirmação da divulgação do plano de negócios na próxima semana, as ações da petroleira subiram 3,26% (PN) e 3,42% (ON) nesta segunda, influenciada por bons resultados de bolsas estrangeiras e pelos resultados da produção no mês de agosto. Em relatório, o banco UBS indicou que o cenário para a estatal é “positivo”. “Nossa recomendação segue a crença de que mais valor pode ser desbloqueado com mudanças regulatórias no curto e médio prazos e com a tendência positiva dos preços do petróleo”, informa o documento distribuído a clientes. 

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