Petrobrás quer antecipar projeto-piloto de Tupi

Petrobrás quer antecipar projeto-piloto de Tupi

Plataforma no campo poderá iniciar atividades em outubro, e não mais em dezembro, como previsto inicialmente

Nicola Pamplona / RIO, O Estadao de S.Paulo

24 de março de 2010 | 00h00

A Petrobrás quer antecipar o projeto-piloto de produção de Tupi, que terá capacidade para 100 mil barris por dia. Inicialmente prevista para dezembro, a plataforma pode iniciar atividades em outubro, disse ontem o diretor de Exploração e Produção da estatal, Guilherme Estrella. Isso significa que a estatal terá de concluir até outubro o plano de avaliação da descoberta, que vence no último dia de 2010.

Ontem a Petrobrás constatou altíssima produtividade dos reservatórios do pré-sal no quarto poço perfurado em Tupi, a cerca de 265 km da costa do Estado do Rio. Segundo nota divulgada pela estatal, o potencial desse poço foi estimado em cerca de 30 mil barris de óleo leve, de cerca de 28° API, por dia.

Estrella explicou que o projeto só pode ser iniciado após a declaração de comercialidade do campo - etapa na qual, após todos os trabalhos exploratórios, a concessionária anuncia à Agência Nacional do Petróleo (ANP) que investirá no desenvolvimento da produção de uma jazida. Segundo o plano de avaliação da descoberta de Tupi aprovado pela ANP, a data-limite para a decisão é 31 de dezembro.

Questionado sobre a relação entre a antecipação do projeto e as eleições, Estrella respondeu que o início da produção "é bom para todo o País". A Petrobrás é sócia da britânica BG e da portuguesa Galp no bloco exploratório onde estão as descobertas de Tupi e Iara, chamado BM-S-11, que têm identificados até agora entre 8 bilhões e 12 bilhões de barris de petróleo e gás.

Segundo o executivo, a Petrobrás não devolverá à ANP qualquer extensão do BM-S-11 ao fim dos trabalhos, permanecendo com toda a área de concessão - os contratos permitem a devolução, caso não haja interesse em investir na produção. A estatal tem hoje quatro sondas de perfuração no BM-S-11, no esforço para cumprir o plano de avaliação da área antes do fim do prazo.

O bloco deve receber outro projeto-piloto de produção, que vai extrair petróleo de um poço batizado como Tupi Nordeste. A companhia espera ainda a chegada, em maio, da plataforma Dynamic Production, que vai fazer um teste de longa duração no projeto Guará, no bloco BM-S-9, mais ao sul.

A empresa está iniciando também a exploração de uma nova fronteira do pré-sal ao sul da Bacia de Santos. Segundo comunicado divulgado na noite de anteontem, um poço nessa área será perfurado no segundo semestre. Estrella informou que a companhia já perfurou um poço no pré-sal da região, mas o reservatório não tinha boa qualidade.

A parte sul da Bacia de Santos tem hoje importantes descobertas no pós-sal, de óleo de boa qualidade, quase sem gás - o que permite um início mais rápido de produção -, disse Estrella. Anteontem, a companhia iniciou um teste de longa duração nos poços de Tiro e Sidon, que têm reservas estimadas em 150 milhões de barris de petróleo.

Encomendas. Estrella informou que a companhia deve começar a licitar ainda este ano os grandes pacotes de equipamentos para as primeiras oito plataformas do pré-sal, chamadas pela empresa de plataformas replicantes. Os oito cascos já foram licitados e serão construídos no Rio Grande do Sul pela Engevix.

Agora, a empresa finaliza os projetos básicos de engenharia dos módulos de geração de energia, compressão de gás e sistemas de automação, entre outros, que vão a leilão, seguindo a nova estratégia da empresa de comprar grandes pacotes de equipamentos. A ideia é licitar cada componente em volume necessário para as oito plataformas, garantindo escala para reduzir custos e, em alguns casos, permitir a abertura de fábricas no Brasil.

Segundo o diretor da Petrobrás, a engenharia das plataformas também deverá ser feita por companhias brasileiras, para evitar especificações que não podem ser atendidas pela indústria nacional. A nova estratégia de contratações tem como objetivo ampliar o conteúdo local das encomendas para até 75%. Em abril, serão licitados também os módulos das plataformas P-58 e P-62, que serão instaladas no Parque das Baleias e em Roncador.

DESCOBERTAS DO PRÉ-SAL

Os testes de longa duração

Jubarte

O primeiro teste de produção no pré-sal ocorreu no litoral do ES, no campo de Jubarte, norte da Bacia de Campos. O teste teve início em setembro de 2008, por meio de uma plataforma que já produzia óleo do pós-sal.

Tupi

O primeiro teste no pré-sal da Bacia de Santos foi iniciado em maio de 2009, e deve ser concluído em setembro deste ano. A Petrobrás quer antecipar o início da produção comercial para outubro, em uma plataforma com capacidade para extrair 100 mil barris por dia.

Guará

A descoberta de Guará receberá o segundo teste de longa duração da Bacia de Santos. A Petrobrás espera para maio a chegada da plataforma Dynamic Production, que será instalada na área.

Iara ou Tupi Nordeste

A Petrobrás ainda não bateu o martelo sobre qual poço receberá o terceiro teste de longa duração, mas há sinais de preferência por Tupi Nordeste, que é parte do complexo de Tupi. Iara fica na mesma concessão, mas em um reservatório isolado, onde a estatal já identificou a existência de reservas entre 3 e 4 bilhões de barris.

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