Petrobrás quer aprovação unânime do balanço

Conselheiros da estatal terão acesso aos resultados financeiros da companhia na próxima semana

Fernanda Nunes, O Estado de S. Paulo

14 de abril de 2015 | 21h45

RIO - Às vésperas da reunião do conselho de administração que poderá por um fim à novela da divulgação do balanço de 2014, a diretoria Financeira da Petrobrás corre contra o tempo para conseguir unanimidade na aprovação dos números. O diretor financeiro Ivan Monteiro tem se reunido com os conselheiros para detalhar o trabalho, segundo fontes ouvidas pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado. 

Daqui a uma semana, na reunião do conselho de administração, os conselheiros tomarão conhecimento do resultado financeiro de 2014 e do prejuízo causado pela corrupção. 

Concluído o cálculo, a diretoria agora está focada no consenso em torno do resultado financeiro entre os conselheiros para evitar questionamentos. E, assim, conquistar credibilidade entre os investidores. 

O principal alvo de Monteiro tem sido os conselheiros independentes que representam os donos de ações ordinárias e preferenciais - Mauro Cunha e José Monforte, respectivamente - e os empregados - Silvio Sinedino. Os três são os mais críticos aos projetos apresentados pela diretoria e costumam se opor ao colegas de colegiado, representantes da União. 

Cunha, Monforte e Sinedino deixarão o conselho na reunião de quarta-feira e não têm nada a perder na relação com a Petrobrás ou o governo, mas poderiam, no futuro, vir a responder pela aprovação do balanço, pois seus nomes deverão constar no documento de 2014, marcado pelo escândalo de corrupção. 

O conselho conta com nove conselheiros. “O que eles querem é uma partida de nove a zero e não de seis a três. Isso fará toda diferença na aceitação dos números pelo mercado. Mas tudo dependerá do que será apresentado”, disse uma fonte envolvida no processo. 

Dois principais entraves à divulgação já foram ultrapassados e demonstrados aos conselheiros. A metodologia de cálculo do rombo tem sido detalhada e já não há mais suspeitas sobre os profissionais que participaram da produção do balanço financeiro.

A empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers (PwC) se negava a assinar o balanço até que fossem afastados do trabalho todos os suspeitos.

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