Petrobrás quer comprar refinaria nos EUA

A prioridade da Petrobras no mercado internacional é a compra de um refinaria de petróleo nos Estados Unidos ou no Caribe, além de manter atividades de exploração e desenvolvimento na "Bacia do Atlântico", que vai do golfo do México à costa da África. A definição é do presidente da Petrobras, Francisco Gros, em palestra para 400 associados na Câmara Americana de Comércio, no Rio de Janeiro.Na América do Sul a empresa é líder na distribuição na Bolívia, passou a ter uma participação de 12% na Argentina ao adquirir a EG3 da Repsol/YPF e fez recentemente uma das mais importantes descobertas de petróleo na Colômbia nos últimos dez anos.Gros considera que a opção de investir em refinaria no exterior resulta da impossibilidade de expansão doméstica, pois já opera 98% do mercado. "Num mercado de competição, o mais lógico é não ampliar os investimentos em refinarias", observou.A compra da refinaria no exterior visa a facilitar a colocação de produtos no exterior, mas a Petrobras não deve ser operadora dessa empresa. Isso significa que, provavelmente, a estatal terá parcerias no projeto. Gros não quis mencionar ordem de grandeza para essa operação, alegando que isso é "segredo comercial".O presidente da estatal reiterou também a intenção de ter forte presença no mercado de gás natural. A descoberta de jazidas de gás que a empresa fez nos últimos anos vai facilitar essa expansão, disse.Gros destacou ainda que a Petrobras está apenas a um passo de se tornar "investment grade", o que permitirá à empresa captar recursos no mercado internacional a custos mais baixos.Uma das faces da internacionalização é ter maior e melhor visibilidade por parte do mercado financeiro internacional. Gros acredita que a estatal já avançou bastante e citou como exemplo a captação de US$ 500 milhões feita pela empresa no final do ano passado, quando ficou 390 pontos-base (3,9% ao ano) abaixo do custo do título equivalente do Tesouro Nacional.Na terça-feira, a Petrobras concluiu outra captação no mercado internacional no valor de US$ 400 milhões, com juros pouco superiores 9% ao ano. A redução desses custos foi, em parte, decorrente de um seguro feito pela empresa para garantir os credores na eventualidade de uma moratória brasileira.Gros disse que a empresa também quer se tornar mais transparente no mercado interno. Para isso, está negociando com a Bovespa a possibilidade de migrar para o nível 2 de negociação da bolsa, que implica em maior visibilidade e regras mais rígidas de governança corporativa. O presidente da Petrobras não previu prazo para essa "migração".

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.