Petrobrás quer estocar petróleo

Estatal procura terminais na Ásia e na Europa para guardar o produto e, assim, evitar vendê-lo no período de baixa

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

24 de janeiro de 2009 | 00h00

A Petrobrás está em busca de terminais para estocar petróleo na Ásia e na Europa, mas, com a brutal queda do preço do petróleo nos últimos meses, enfrenta dificuldade para encontrar espaço disponível. Empresas de todo o mundo decidiram estocar o produto e esperar a reação dos preços.A estatal brasileira gostaria de adotar a mesma estratégia, para atravessar um período de vendas fracas e cotações em queda. Mas, com terminais próprios somente no Brasil e nos Estados Unidos, tem de se valer do aluguel de terceiros em outras regiões, que se beneficiam de uma demanda recorde por seus serviços. "Todos que procuramos não têm espaço para estocagem. Várias empresas petroleiras estão na mesma situação que a Petrobrás", disse ao Estado o representante da estatal na China, Marcelo Castilho.A Petrobrás realizou nos últimos anos pesados investimentos para ampliar a produção, que atingiu 2 milhões de barris de petróleo por dia em 2008. Com a retração mundial, a empresa corre o risco de ter mais petróleo do que é capaz de vender a preços que compensem. Se o mercado continuar ruim e não aparecerem terminais, a Petrobrás pode ser obrigada a reduzir sua produção - "pior coisa" que pode acontecer, segundo Castilho. "Ainda não chegamos a esse ponto", ressaltou. O principal estímulo para a estocagem do petróleo é a diferença entre os preços para entrega imediata e no mercado futuro, que dá uma indicação de que as cotações vão reagir. Sexta-feira, o petróleo era vendido a US$ 46,47 o barril para entrega em março, uma queda de cerca de 70% em relação ao pico de meados do ano passado. Para janeiro de 2010, os investidores apostavam em US$ 57,08.A diferença explica por que tantas empresas evitam vender petróleo. Nos Estados Unidos, os estoques nos terminais que entregam petróleo negociado nos contratos futuros da Bolsa Mercantil de Nova York (Nymex) aumentaram 40% em janeiro e atingiram o maior nível desde 2004, quando o governo começou a computar o dado.Caso não encontre terminais disponíveis, a Petrobrás ainda tem a opção de estocar petróleo em navios, como muitas empresas ao redor do mundo estão fazendo. Em seu mais recente relatório mensal sobre o mercado de petróleo, a Agência Internacional de Energia (AIE) destacou a elevação da quantidade do produto em alto mar. "O aumento do estoque flutuante é resultado da abundância de suprimento sem compradores e da redução nos preços dos fretes." A Frontline, dona da maior frota de super tanques do mundo, estima que 80 milhões de barris de petróleo estão estocados em navios, maior nível em 20 anos, segundo a agência Bloomberg.Castilho afirma que a intenção da Petrobrás é ter locais permanentes para estocagem de petróleo na Ásia e na Europa, o que dará à empresa mais flexibilidade para atender a seus clientes na região, além de margem de manobra para enfrentar fortes oscilações de preços.Após um começo de ano fraco, as vendas da estatal para a China se recuperaram nos últimos dias e se aproximam da média do ano passado em termos de volume. O país asiático foi em 2008 o segundo maior cliente da Petrobrás, atrás dos EUA.

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