Pilar Olivares/REUTERS
Pilar Olivares/REUTERS

Petrobrás quer mudar gestão de plano de saúde dos funcionários

Empresa diz que vai economizar R$ 6,2 bi com criação de uma associação para administrar benefício; mudança é rejeitada por sindicalistas

Fernanda Nunes, RIO

17 de janeiro de 2021 | 05h00

A Petrobrás aguarda a aprovação de autoridades para abrir uma nova entidade de gestão de benefícios dos seus funcionários. Em vez de uma fundação, como a Petros (que gere o fundo de pensão), a empresa vai criar agora uma associação que responderá pela administração do plano de saúde dos funcionários, pensionistas, aposentados e dependentes.

A empresa alega que, por questões tributárias, optou pela criação de uma associação, e não de uma fundação. Com esta mudança, espera economizar, pelo menos, R$ 6,2 bilhões num período de dez anos. Entidades sindicais, no entanto, rejeitaram a criação da nova estrutura e foram à Justiça e ao Legislativo para tentar barrar a medida.

Num primeiro momento, como patrocinadora, a Petrobrás vai responder por 60% do custo total do plano de saúde, como prevê o acordo coletivo de trabalho. Mas, a partir de 2022, o valor para os beneficiários poderá aumentar, caso o gasto com a gestão da assistência à saúde não seja reduzido e a resolução 23 da Comissão Interministerial de Governança Corporativa e de Administração de Participações Societárias da União (CGPAR) ainda esteja em vigor.

Essa resolução prevê a divisão igualitária da mensalidade entre a empresa e os funcionários, ou seja, na proporção de 50% para cada uma das partes. A expectativa dos sindicatos é que a resolução caia e, com ela, a paridade de participação.

A avaliação do coordenador- geral da Federação Única dos Petroleiros (FUP), Deyvid Bacelar, é que, ao substituir o atual modelo de gestão do plano pela área de Recursos Humanos da companhia por uma nova associação, os empregados passam a ter de arcar com os custos administrativos – o que não acontece hoje. Além disso, segundo Bacelar, esse seria o primeiro passo para que empresas privadas assumam no futuro o plano de saúde dos petroleiros. 

Sindicato teme aumento de custos

Em comunicado interno divulgado aos funcionários, a empresa diz que “o modelo adotado continuará sendo de autogestão, da qual a Petrobrás é patrocinadora majoritária, sendo vedada a venda da carteira de beneficiários. Porém, a Saúde Petrobrás poderá selecionar parceiros para realizar serviços operacionais ou especializados”.

O gasto com a implantação da Saúde Petrobrás é estimado em R$ 25 milhões, que, neste ano, será incluído na conta de administração do plano. Hoje, essa conta de administração é de R$ 173 milhões, segundo projeção para os 12 meses. A expectativa, porém, é reduzi-la para R$ 115 milhões em quatro ou cinco anos.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.