Daniel Teixeira/AE
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Petrobrás quer rever acordo de acionistas da Braskem

Medida é o primeiropasso oficial da estatal para preparar sua saída da sociedade com a Odebrecht

Fernando Scheller, O Estado de S.Paulo

18 Julho 2017 | 23h11

A Petrobrás anunciou ontem que deu início às negociações para a revisão do acordo de acionistas da petroquímica Braskem, empresa da qual é sócia relevante, ao lado da Odebrecht. Segundo fontes de mercado, trata-se do primeiro passo oficial da petrolífera para preparar sua saída do negócio.

A Odebrecht é detentora de 50,1% das ações com direito a voto da companhia, enquanto a Petrobrás concentra 47%. Considerando o capital total, Braskem e Petrobrás têm, juntas, cerca de 75% – o restante é negociado em Bolsa.

A Petrobrás, que está realizando uma venda bilionária de ativos depois de passar por dificuldades com a Operação Lava Jato, que investiga esquema de corrupção na empresa, e a queda do preço do petróleo. A companhia já manifestou oficialmente a intenção de vender sua participação na Braskem.

A petroquímica controlada pela Odebrecht virou a “joia da coroa” do grupo familiar após os negócios de concessão e construção sofrerem à medida que as investigações da Lava Jato evoluíram e a crise econômica do País se aprofundou.

Em entrevista ao Estado em abril, o presidente da Braskem, Fernando Musa, lembrou que a Petrobrás já oficializou sua intenção de sair do negócio. Pelo menos por enquanto, disse ele, a Odebrecht não teria a intenção de seguir o mesmo caminho. “Tem muito valor a ser capturado e uma venda agora poderia significar perder dinheiro.”

O acordo de acionistas celebrado entre Braskem e Petrobrás foi firmado em 8 de fevereiro de 2010 e garante alguns direitos a estatal, entre elas o veto de algumas decisões, segundo apurou o Estado. Com a revisão do contrato, a empresa ficaria livre para repassar esses direitos a terceiros.

No início da semana, o banco Morgan Stanley divulgou relatório definindo um novo preço-alvo de R$ 46 para a ação da Braskem na B3 (nova denominação da BM&FBovespa). A recomendação do banco para a compra do papel está baseada uma previsão de valorização de cerca de 30% em relação ao valor atual.

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