Petrobras quer rever condições de compra do gás boliviano

A Petrobras vai aproveitar uma brecha no contrato de importação do gás boliviano para forçar uma revisão das condições de compra do produto. Segundo o diretor de gás e energia da estatal, Ildo Sauer, o contrato prevê uma revisão periódica das condições de fornecimento e a empresa já enviou uma carta à estatal boliviana YPFB, responsável pela venda do gás ao Brasil, solicitando a revisão. O Brasil vem tentando há pelo menos dois anos reduzir o preço do gás importado para viabilizar o mercado consumidor brasileiro.Sauer disse que o objetivo da negociação com a Bolívia será conferir maior flexibilidade ao contrato. Segundo o acordo entre os dois países, a Petrobras é obrigada a pagar por um volume específico de gás mesmo que não consuma este volume, segundo uma cláusula chamada ?take or pay?. "O contrato com a Bolívia não prevê apenas a compra de gás, mas também o desenvolvimento do mercado nos dois países. E isto não está ocorrendo, pois o alto preço e a inflexibilidade estão segurando o crescimento do mercado brasileiro. Então vamos sentar e discutir as condições", informou o executivo.De acordo com o diretor da Petrobras, as térmicas - maiores consumidoras do gás - devem funcionar no Brasil como complemento ao sistema hidráulico, sem gerar o tempo todo. E, por isso, precisam de contratos flexíveis de gás natural, pagando apenas quando utilizarem o produto. Por isso a necessidade de flexibilização do contrato.Além disso, a Petrobras chegou a antecipar um aumento no volume de gás fornecido para utilização térmica quando o País vivia uma escassez de energia. A empresa antecipou de 2007 para 2003 a previsão de chegar à capacidade máxima do contrato, de 30 milhões de metros cúbicos por dia. "Agora, esse volume adicional é desnecessário e vamos tentar reverter esse quadro", disse.O governo Fernando Henrique Cardoso vinha tentando rever o contrato, principalmente com relação ao preço, no campo diplomático, mas não obteve sucesso. Ildo disse que só agora venceu o prazo para a renegociação e, por isso, este artifício ainda não havia sido lançado. A discussão entre as duas empresas, que vai tratar de preço, prazo e volume, ainda está no nível técnico, mas deve ser estendida ao nível diplomático no futuro.O diretor da Petrobras disse ainda que a empresa está reavaliando todos os contratos das térmicas que a empresa tem participação. A estatal participa de duas formas: ou é acionista ou garante a compra de parte da energia. Nesta última modalidade, vem garantindo a quatro usinas uma rentabilidade mínima, mesmo que estas não gerem energia. Por isso, provisionou perdas de US$ 205 milhões em seu balanço para perdas com geração de energia.

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