Petrobrás quer unidade de nitrogenados da mineradora

Empresa está próxima de um acordo com a Vale para prorrogação de contratos sobre minas de carnalita

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

29 de julho de 2011 | 00h00

A Petrobrás quer que a Vale utilize como moeda de troca para obter a prorrogação do contrato do arrendamento das minas de carnalita, minério do qual se extrai o potássio, em Sergipe, a unidade de nitrogenados que a mineradora herdou da Fosfértil, empresa que adquiriu no ano passado.

Segundo fontes próximas das discussões, as companhias estão próximas de um acordo. A Vale precisa de mais prazo para dar andamento aos investimentos em Sergipe, enquanto a Petrobrás quer ampliar sua produção de nitrogenados para ter mais um destino para o gás natural. Nitrogênio, fósforo e potássio são a matéria-prima básica para a produção de fertilizantes, e o Brasil depende da importação de todos eles.

A Vale opera a mina de Taquari-Vassouras (SE) desde 1992, cujos direitos minerários são da Petrobrás. Esses direitos vencem em 2017. A produtora de minério de ferro tenta há alguns anos argumentar com a Petrobrás para que a estatal renove o prazo de exploração, mas até o momento não teve nenhuma resposta.

Caso o prazo seja ampliado, a Vale programa investimentos de US$ 4 bilhões com objetivo de elevar a produção de potássio no local das atuais 700 mil toneladas para 2,4 milhões de toneladas. Hoje, esse é o único local onde existe produção do insumo no Brasil, que responde por apenas 10% do total consumido no País; o restante é importado.

A meta da mineradora é chegar a 3,4 milhões de toneladas de potássio em 2015, considerando todas suas operações de potássio, inclusive a da Argentina.

Amônia. Além da unidade de nitrogenados que a mineradora herdou da Fosfértil, localizada em Araucária (PR), a Vale também produz nitrogenados em Cubatão(SP), outra unidade que era da Fosfértil. No Brasil, há outros dois polos para a síntese de amônia - o primeiro composto nitrogenado -, que pertencem à Petrobrás: o complexo de Laranjeiras (SE) e o de Camaçari (BA).

Não é à toa que o interesse da estatal pode estar nesses ativos. A Petrobrás está investindo para monetizar as reservas de gás natural do pré-sal e da Bacia de Santos. Com o investimento na produção de nitrogenados, a Petrobrás conseguiria, além de aumentar a oferta nacional de fertilizantes, garantir um mercado consumidor firme para esse gás. Também nesse sentido, a estatal prevê construir outras três unidades de nitrogenados: em Três Lagoas (MS), Uberaba (MG) e em Linhares (ES).

Embora o nitrogênio seja abundante no ar atmosférico, o processo industrial utiliza hidrogênio, que pode vir do gás natural. Segundo o professor da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq), Godofredo Vitti, o gás natural é a fonte mais barata para a obtenção do hidrogênio. A reação química entre o hidrogênio e o nitrogênio resulta em amônia.

Mesmo com o cenário mais propenso para a Petrobrás produzir os nitrogenados, a Vale tem se movimentado para produzir amônia e ureia. No ano passado, a produção de amônia pela mineradora somou 508 mil toneladas e a de ureia 511 mil toneladas. Apesar desse esforço, o potássio é o foco para a Vale, e por isso a necessidade de que Petrobrás chancele a ampliação do prazo de arrendamento da mina em Sergipe. Segundo o professor da Esalq, é economicamente interessante que a Petrobrás produza nitrogenados e a Vale potássio em Sergipe.

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